Ninguém Pode Provar Nada

Título original: Ninguém Pode Provar Nada

Direção: Rodrigo Pinto

Ano de lançamento: 2025

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

3

/5

Ezequiel Neves (1935-2010) ganha uma docuficção que replica um artifício comum à sua trajetória: o de falsear a realidade. Ninguém Pode Provar Nada confirma que Ezequiel inventava mentiras com uma habilidade ímpar. Por isso, transitou entre várias atividades, sempre ligadas à cultura, mas sem nunca ser o artista principal.

Como ator, fez pequenos papéis em filmes importantes. Dentro do cinema marginal, atuou em Jardim de Guerra (1968), de Neville D’Almeida, e O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla. Nos anos 1980, esteve em Rio Babilônia (1983), também de Neville, Tropclip (1985), de Luiz Fernando Goulart, e Um Trem Para as Estrelas (1987), de Cacá Diegues.

Como crítico de rock, escreveu para importantes veículos de imprensa. Sua sinceridade absoluta resultava em textos exagerados, tanto na exaltação como na reprovação. Porém, o mais surpreendente é a sua audácia de inventar declarações de artistas. O filme traz até uma entrevista de página inteira com Mick Jagger que ele criou a partir de uma conversa de poucos minutos com o vocalista dos Rolling Stones.

Na mesma linha, foi produtor musical de artistas de primeira linha, como Rita Lee, Made in Brazil, Cauby Peixoto, Barão Vermelho e Cazuza, apesar de não saber nem ler uma partitura. Não obstante, nunca sofreu síndrome de impostor.

O filme

O longa de Rodrigo Pinto repete, em parte, essa atitude. A partir de um vasto acervo de fotos, vídeos e documentos, resgata entrevistas inéditas. Mas, vai além, e recria, com o uso de inteligência artificial, entrevistas e trechos de filmes que foram inventados, como revela o press release de divulgação.

Na parte inicial, o uso de IA fica bem evidente. Os áudios gerados a partir de textos de Ezequiel Neves conduzem a narrativa rica em materiais visuais, animados por computador. A edição é inquieta, e reproduz a inquietação na mente do retratado na sua juventude rebelde. Os trechos encenados com atores não funcionam tão bem, parecem artificiais demais e desnecessários, principalmente na parte final, quando o filme já não recorre às recriações via IA e prefere apresentar trechos mais longos de depoimentos.

Ninguém Pode Provar Nada, de fato, erra em algumas de suas ousadias. Mas, tudo bem, porque assim mantém o espírito desvairado de Ezequiel Neves.

O longa é valioso para quem entender a cena pop dos anos 60 aos 90. O filme está na competição nacional do 18º In-Edit Brasil, festival que ocorre de 17 a 28 de junho. A estreia em São Paulo contará com três exibições estratégicas para o público paulistano: a primeira na Cinemateca Brasileira, no dia 21 de junho às 15h, acompanhada de um debate exclusivo com o diretor e a equipe; a segunda no Cinesesc, no dia 27 de junho às 18h; e o encerramento do circuito no Centro Cultural São Paulo (sala Paulo Emílio), no dia 28 de junho às 19h30.

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Ficha técnica:

Ninguém Pode Provar Nada – A Inacreditável História de Ezequiel Neves | Brasil | 2025 | 105 min. | Direção: Rodrigo Pinto | Roteiro: Kika Serra, Rodrigo Pinto | Elenco: Emílio de Mello, Felipe David Rodrigues, Edson Zille, Adassa Martins, Lorenzo Papa.

Onde assistir:
Ezequiel Neves e Cazuza em "Ninguém Pode Provar Nada" (divulgação/Giros Filmes)

Outras críticas:

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