O Drama

Título original: The Drama

Direção: Kristoffer Borgli

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 09/04/2026

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 5,5/10

O Drama confirma a expectativa que seus trailers criaram, alimentada também por ser uma produção da A24 e por ser escrito e dirigido por Kristoffer Borgli, de O Homem dos Sonhos (Dream Scenario, 2023). Como esperado, é um filme que quer incomodar, chocar o público. Tem como objetivo principal criar estranheza, como no cinema de Yorgos Lanthimos, que despontou mundialmente com dois lançamentos via A24, O Lagosta (The Lobster, 2015) e O Sacrifício do Cervo Sagrado (The Killing of a Sacred Deer, 2017). Mas, com uma embalagem moderna.

Em O Drama, antes mesmo do gatilho que coloca o enredo em marcha, a estranheza aparece na forma que Borgli dirige. Ele constrói uma narrativa fragmentada por vários trechos curtos. Mas, não como um recurso para acelerar o ritmo, pois os segmentos se intercalam fora da ordem cronológica, muitas vezes se repetindo.

O andamento é truncado. E lento demais em alguns momentos. Como quando Emma (Zendaya) e Charlie (Robert Pattinson) discutem por um longo tempo se devem manter a DJ que contrataram para a festa de casamento deles, pois a viram usando heroína na rua. Enquanto isso, dedica tempo apresentando o casal descolado que vive num apartamento que parece projeto 3D elaborado por um arquiteto renomado.

Qual foi a pior coisa que você fez?

Só depois de uns trinta minutos acontece o fato que abala o casal a poucos dias do matrimônio. Junto com o casal de padrinhos, Rachel (Alana Haim) e Mike (Mamoudou Athie), eles iniciam um jogo de contar a pior coisa que cada um fez em suas vidas. O trailer sugere que a revelação de Emma é algo bombástico. E que, portanto, se mantenha essa informação em segredo para evitar um spoiler que tira a graça do filme.

Na verdade, como sempre acontece no cinema, o que foi a pior coisa que Emma fez não é o mais importante para o filme. O que importa é como essa informação é trabalhada. No enredo, o que ela fez é suficiente para abalar o seu relacionamento com Charlie, que passa a vê-la como uma outra pessoa que ele não conhecia a fundo.

A partir desse momento, o filme entra definitivamente no modo A24. Uma trilha musical estranha aparece a todo instante, reforçando a sensação de estranheza. Flashbacks ilustram o que Emma contou naquele jogo, sem acrescentar nenhuma novidade. Mas, o enredo não toca na questão principal, que seria esclarecer por que ela não executou o que havia planejado naquela época. Ao invés disso, afloram sonhos, alucinações e brincadeiras visuais que retratam os agora incômodos preparativos finais para o casamento.

É para rir ou para chorar?

Na parte final, a comédia tenta se sobrepor ao drama. Emocionalmente abalado, Charlie vomita várias vezes, chora a todo momento, entra em pânico, faz besteira. O seu discurso no casamento beira o patético. Tudo isso poderia ser muito engraçado, mas o filme resiste a essa tentação. Não quer fazer rir, e nem chorar. Prefere manter o seu objetivo de incomodar o público, nem que para isso prejudique a sua experiência.

Porém, Kristoffer Borgli não tem a coragem de Yorgos Lanthimos. Na cena final, depois de judiar do espectador durante todo o filme, decide ser contemporizador. Mas, não adianta tentar agradar agora. Quem estava achando a experiência insuportável não vai mudar de opinião com essa conclusão condescendente. E essa escolha pode ainda abalar aquele que estava adorando a acidez do filme.  

___________________________________________

Ficha técnica:

O Drama | The Drama | 2026 | EUA | Direção: Kristoffer Borgli | Roteiro: Kristoffer Borgli | Elenco: Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim, Mamoudou Athie, Zoë Winters, Hailey Gates, Sydney Lemmon, Michael Abbott Jr., YaYa Gosselin, Peyton Jackson, Echo Campbell, Jordyn Curet.

Distribuição: Diamond Films.

Trailer:

Onde assistir:

Outras críticas:

Rolar para o topo