O filme de terror O Homem do Saco, que estreia nos cinemas em 30 de janeiro, pode ser apreciado como uma despretensiosa produção B do gênero. Porém, contou com um orçamento estimado em 14,5 milhões de dólares (fonte: IMDb), portanto acima da média dos filmes independentes dos Estados Unidos, onde foi distribuído pela Lionsgate.
A verba possibilitou a contratação do diretor Colm McCarthy, diretor de séries de sucesso, como Peaky Blinders (2014). No elenco, o único nome de primeira linha de astros norte-americanos é Sam Claflin, que interpreta o protagonista Patrick McGee.
Na trama, Patrick está falido. Por isso, mora na casa onde cresceu e trabalha para o irmão. O enredo deixa subentendido que ele se tornou um perdedor por causa de um trauma de infância. Flashbacks recorrentes revelam que ele escapou por pouco do Bagman, uma criatura que rapta pessoas na mochila que carrega para matá-las em sua caverna. Desde então, tem sofrido com um temor paranoico de que esse monstro está atrás dele ou de seu filho. Gradativamente, suas suspeitas se concretizam e o perigo se torna real.
Desde o seu prólogo, o filme se afirma como sobrenatural e não se afasta dessa hipótese. O que é positivo, porque as tramas que desmentem no fim o que foi apresentado como fenômeno de outro mundo acabam muitas vezes trazendo explicações tolas. É verdade que há uma cena com a psicóloga de Patrick que ameaça derrubar o terror fantástico e trocar pelo psicológico, mas o espectador a essa altura já viu o suficiente para saber que o Bagman não é fruto da imaginação. Essa insistência em manter o sobrenatural se alinha ao sacrifício do herói para salvar seu filho, no tocante à recusa do filme em recorrer a soluções que agradem ao público.
A criatura
O problema de O Homem do Saco é que o vilão do título não assusta. Enquanto ele aparece em breves relances (inclusive nas ilustrações dos créditos iniciais), até provoca algum medo, mas quanto mais visível se torna, menos assustador se torna. E olha que, com dentes podres e o crânio estourado, sua figura devia ser bem horripilante. Na verdade, o boneco que Bagman carrega chega a ser mais aterrorizante do que ele próprio. Isso tudo leva a crer que, na concepção artística, o vilão devia ser bem sinistro, mas os efeitos especiais não conseguiram materializar essa ideia.
Além disso, faltou enfatizar o mito dessa criatura que, como o filme explica rapidamente, existe há muito tempo. Não ajuda, nesse sentido, o fato de as ilustrações nos livros sobre esse ser não se parecerem muito com o vilão do filme. Nem que não faz sentido o Bagman ficar obcecado em perseguir o protagonista por ele ter escapado quando era criança.
Por outro lado, longe de ser um diretor autoral, Colm McCarthy investe em clichês (o pesadelo, o espiar pelo visor da porta etc.), mas sem a expertise do gênero terror. Pesa o fato de sua carreira em séries não abranger o gênero, ao qual ele se aproximou nos dois longas que dirigiu antes de O Homem do Saco (Outcast, de 2010, e Melanie, de 2016).
O Homem do Saco não é dos piores, mas o orçamento podia ter rendido um resultado melhor. Então, ignore o orçamento e considere-o um filme B despretensioso, mesmo que não seja, e a diversão está garantida.
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Ficha técnica:
O Homem do Saco | Bagman | 2024 | 93 min. | EUA | Direção: Colm McCarthy | Roteiro: John Hulme | Elenco: Sam Claflin, Antonia Thomas, Caréll Vincent Rhoden, Will Davis, Adelle Leonce, William Hope, Steven Cree, Rosalie Craig, Peter McDonald, Henry Pettigrew, Frankie Corio.
Distribuição: Paris Filmes.