Depois do sucesso comercial de Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993) e do Oscar de Melhor Diretor por A Lista de Schindler (1993), Steven Spielberg se dedicou à Shoah Foundation, organização dedicada a preservar os testemunhos de sobreviventes do Holocausto. Embora tenha atuado na produção de alguns filmes, o cineasta só voltaria a dirigir em O Mundo Perdido: Jurassic Park.
Mas, parece que voltou um pouco enferrujado, repetindo em demasia a sua marca registrada que consiste em mostrar os personagens atônitos olhando para alguma coisa que o púbico não vê. O próprio filme brinca com essa insistência, num trecho em que um personagem pergunta a outro: “O que eles estão olhando?”. Mas, para sermos justos, a franquia Jurassic Park oferece várias oportunidades para essa situação. Afinal, suas histórias tratam de dinossauros ressurgindo em nossos tempos.
Repetindo a fórmula
O roteiro, novamente escrito por David Koepp, mas sem a parceria de Michael Crichton, creditado apenas como autor do livro que serviu de base, parece uma cópia do primeiro filme. John Hammond (Richard Attenborough), criador do parque de dinossauros no longa anterior, confessa a Ian Malcolm (Jeff Goldblum) que existiu em outra ilha o laboratório original das experiências com os dinossauros. E, nesse lugar, as criaturas pré-históricas vivem livremente.
A namorada de Ian, Sarah (Julianne Moore), já está nessa ilha, portanto Ian não tem outra opção senão ir ao local para protegê-la. Sem saber, sua filha Kelly (Vanessa Chester) embarca junto, escondida. Desta vez, a presença de uma personagem juvenil, característica de Spielberg, produz uma personagem bem chatinha, que mais irrita do que cria empatia.
Ian e Sarah descobrem que o sobrinho de Hammond promove uma espécie de safári para capturar dinossauros e transportá-los para um novo Jurassic Park em San Diego, na Califórnia. Dessa forma, a trama desemboca numa variante de Godzilla ou King Kong apavorando uma cidade.
A esperteza de Spielberg
Como a trama não traz surpresas, O Mundo Perdido: Jurassic Park aposta no humor de um Spielberg formalista, que brinca com a gramática do cinema. Subverte a montagem eisensteiniana, ao extrair comédia ao justapor duas cenas (por exemplo, cortar o grito de uma menina em perigo para Jeff Goldblum bocejando). Nesse jogo, engana o espectador que espera o tiranossauro rex entrando pela lateral da tela para assustar o personagem em primeiro plano – quem entra em cena é de novo Goldblum. Além disso, revive os diálogos metralhados das clássicas comédias malucas dos anos 1930 nas discussões entre Ian e Sarah.
Spielberg, assim, salva o filme, que já não contava com a surpresa dos efeitos especiais incríveis, efeito que o primeiro Jurassic Park esgotou, diante ainda de uma sequência com trama sem novidades.
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Ficha técnica:
O Mundo Perdido: Jurassic Park | The Lost World: Jurassic Park | 1997 | 129 min. | EUA | Direção: Steven Spielberg | Roteiro: David Koepp | Elenco: Jeff Goldblum, Julianne Moore, Pete Postlethwaite, Vice Vaughn, Arliss Howard, Richard Attenborough, Vanessa Chester, Peter Stormare.



