Pai do Ano

Poster de "Pai do Ano" (divulgação/Diamond Films)

Título original: Goodrich

Direção: Hallie Meyers-Shyer

Ano de lançamento: 2024

Data de estreia no Brasil: 23/10/2025

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 6,5/10

Pai do Ano se esforça demais para equilibrar a comédia e o drama. Por esse motivo, perde piadas para manter o enredo e os personagens coerentes, e evita o melodrama em momentos em que o tom implora por um sentimentalismo evidente. E Michael Keaton e Mila Kunis possuem talento tanto para a comédia como para o drama, o que comprovam quando a oportunidade aparece neste filme.

A premissa chama a atenção pela relação familiar inusitada. Keaton vive Andy Goodrich, de 60 e poucos anos e dono de uma galeria de arte. Kunis faz o papel de Grace, sua filha de 35, do primeiro casamento com Ann (Andie MacDowell, numa participação especial que parece brincar com o seu nome e o do personagem de Keaton). Andy se casou de novo com uma mulher mais jovem, com quem tem um casal de gêmeos de 9 anos, o que permite algumas piadas em relação à diferença de 27 anos entre eles e Grace.

Mas, o acontecimento que dá início à trama é a repentina internação voluntária da nova esposa Naomi (Laura Benanti) numa clínica de reabilitação. Acontece que Andy (e só ele) não tinha percebido que sua mulher era uma viciada em remédios, o que justifica a explosão de uma crise conjugal. Isso porque ele sempre esteve absorvido no trabalho. Agora, ele precisa cuidar sozinha dos filhos, com uma eventual ajuda de Grace, que está grávida. Para piorar, a galeria Goodrich está à beira da falência.

Momentos fortes e fracos

Pai do Ano conta com esse enredo criativo e muito bem amarrado, que apresenta situações inusuais, mas não impossíveis. Porém, algumas cenas não conseguem aproveitar essa qualidade. A primeira discussão de relacionamento entre Andy e Grace não convence, porque parece contida demais, sem abordar os verdadeiros problemas entre eles. É compreensível que essa revelação fique só para o final, num momento de alta dramaticidade porque chegou a hora do parto, mas isso deixou aquela briguinha do início sem graça. Problema semelhante acontece na conversa entre Andy e o pai de um dos colegas de escola dos gêmeos, longa demais e chata. Necessária para apresentar esse personagem secundário importante, no entanto poderia ser mais bem trabalhada.

O roteiro também posterga a revelação para os gêmeos de que a mãe está numa clínica de reabilitação. As conversas francas, incluindo aí o monólogo de Andy ao telefone, mergulham sem dó no melodrama, inclusive esbarrando no piegas, mas conseguem emocionar de verdade. O discurso de fechamento da galeria também é tocante.

Assim como o drama, a comédia também poderia lucrar com uma atitude mais desprendida. A sessão de respiração, por exemplo, tinha tudo para ser caricata e engraçada, mas o filme se segura com medo de deixar escapar a coerência dramática. Além disso, o filme se arrasta um pouco na parte final, que poderia ser mais enxuta.

Hallie Meyers-Shyer foi uma atriz mirim antes de ser roteirista e diretora. Seu primeiro longa, De Volta para Casa (Home Again, 2017), contou com Reese Witherspoon no papel principal. Pai do Ano, seu segundo filme, é ligeiramente acima da média, e poderia ser superior se se permitisse cair de cabeça na comédia e no drama.

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Ficha técnica:

Pai do Ano | Goodrich | 2024 | 110 min. | Direção: Hallie Meyers-Shyer | Roteiro: Hallie Meyers-Shyer | Elenco: Michael Keaton, Mila Kunis, Danny Deferrari, Jacob Kopera, Viven Lyra Blair, Andie MacDowell, Kevin Pollak, Nico Hiraga, Poorna Jagannathan, Michael Urie, Noa Fisher, Jessica Heller, Camen Ejogo.

Distribuição: Diamond Films.

Trailer:

Onde assistir:
Michael Keaton e Mila Kunis em "Pai do Ano" (divulgação/Diamond Films)
Michael Keaton e Mila Kunis em "Pai do Ano" (divulgação/Diamond Films)

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