Para Sempre Medo se soma aos dois filmes anteriores desta boa fase do diretor Osgood Perkins, o suspense investigativo Longlegs (2024) e a adaptação de Stephen King O Macaco (2025). O terror e o suspense não são novidades para este cineasta. Além da herança familiar (seu pai é Anthony Perkins, o eterno Norman Bates de Psicose [1960]), seus três primeiros longas também pertencem ao gênero, porém, sem a qualidade desta trinca mais recente.
Campanha publicitária
Este novo filme de Perkins foi precedido de uma campanha de marketing titubeante. Diferentemente, a divulgação de Longlegs se tornou um caso de sucesso (a ser estudado no futuro nas escolas da indústria do entretenimento). Mas, em Para Sempre Medo a estratégia ousada não deu tão certo.
O primeiro trailer vendia uma ideia errada do filme. Segundo esse material, a história traria, na primeira parte, a perspectiva de uma mulher desconfiada sobre o seu novo namorado que a leva para uma cabana isolada, e a segunda metade apresentaria o mesmo questionamento só que na visão do homem. Até o título nacional era outro: “Para Sempre Minha”, provavelmente influenciado pelo trailer e pela expressão que dá origem ao título em inglês (“Keeper” vem de “he/she is a keeper”, que pode ser adaptado para o nosso “esse/essa é para casar”, quando alguém apresenta seu novo par).
Para surpresa geral, quando saiu o trailer definitivo, a premissa do filme era outra. No lugar do suspense trabalhado em duas perspectivas, entrou o terror brutal e indiscutivelmente sobrenatural. E, sob um novo título nacional: Para Sempre Medo, nome que não faz nenhum sentido.
A trama
Assim como em O Macaco, a trama não é o forte de Para Sempre Medo. Liz (Tatiana Maslany, a protagonista da série Mulher-Hulk, de 2022) viaja com seu novo interesse romântico, Malcolm Westbridge (Rossif Sutherland, filho de Donald Sutherland), para a cabana dele no meio de uma floresta. Induzida pela amiga, com quem conversa pelo celular, Liz começa a desconfiar que Malcolm é casado. Mas, uma suspeita mais sombria surge, a partir de um estranho bolo supostamente feito pela caseira da casa, e da visita incômoda do insuportável primo de Malcolm, que chega inesperadamente com uma modelo europeia.
Cria-se um forte clima de suspense, agravado ainda mais quando Liz fica sozinha na casa, pois Malcolm precisa atender a uma emergência na cidade (ele é médico). O espectador testemunha, antes que a protagonista, que algo sobrenatural ameaça o lugar. O primeiro sinal vem do coração desenhado no vidro embaçado do banheiro. Mas, logo Liz começa a ter visões (algumas delas antecipadas no prólogo do filme), e o primo faz nova visita. Quando Malcolm chega, ela está extremamente nervosa. E o filme mergulha no terror profundo, com direito a criaturas assustadoras, elaboradas com singular imaginação. Alguns momentos de violência também revelam muita criatividade. Mas, o roteiro não se preocupa em explicar em detalhes como o mal se instalou ali, apenas o que o despertou. O próprio Malcolm afirma que não sabe o que são essas criaturas.
A direção
A montagem que introduz o filme, com várias mulheres diferentes, primeiro encantadas e depois desesperadas na conclusão sangrenta, revela o que o enredo vai explorar. Então, quando a história de Liz começa, o espectador já sabe que essa viagem a dois para um lugar isolado vai acabar mal.
Ciente ou não de que o roteiro não é tão forte, Osgood Perkins compensa caprichando na forma. O resultado é um filme positivamente maneirista. Ele praticamente filma todos os planos com enquadramentos que evidenciam os ângulos do cenário, e a casa está repleta deles, como as quinas dos tetos e a estrutura de madeira. Para incrementar a sensação de estranheza, objetos, paredes, pessoas etc. aparecem em primeiro plano em desfoque num dos cantos da tela. Esse esforço faz a diferença, e eleva Para Sempre Medo a um patamar superior, apesar de sua história sem muita profundidade.
Enfim, espero que o deslize da campanha publicitária não atrapalhe a bilheteria, pois Para Sempre Medo é outro terror de respeito de Perkins. Sua avaliação fica entre O Macaco e Longlegs (o melhor desta safra).
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Ficha técnica:
Para Sempre Medo | Keeper | 2025 | 99 min. | EUA, Canadá | Direção: Osgood Perkins | Roteiro: Nick Lepard | Elenco: Tatiana Maslany, Rossif Sutherland, Claire Friesen, Birkett Turton, Erin Boyes, Tess Degenstein, Christin Park.
Distribuição: Diamond Films.



