Platoon

Título original: Platoon

Direção: Oliver Stone

Ano de lançamento: 1986

Data de estreia no Brasil: 27/02/1987

Gênero: , , ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 8/10

Após denunciar os horrores da guerra civil em El Salvador em Salvador: O Martírio de um Povo (1986), Oliver Stone filma outra crítica contundente à política intervencionista de seu país, os Estados Unidos, em Platoon, cujo enredo se passa no final dos anos 1960 na Guerra do Vietnã.

A partir do testemunho do jovem recruta Chris Taylor (Charlie Sheen), Platoon constrói um retrato triste, mas muito realista, do que acontecia no front do Vietnã. A trilha musical, de Georges Delerue, embala essa abordagem. Eventos que, em outros filmes de guerra, costumam ser enaltecidos como atos heroicos (por exemplo, os soldados americanos se afastando da aldeia de camponeses incendiada como punição por ocultarem armas e mantimentos para os vietcongues), aqui recebem um tom de tragédia.

O que acaba de acontecer nessa aldeia é mostrado sem filtros nacionalistas pelo diretor estadunidense. Ali, sob as ordens do impiedoso Sargento Barnes (Tom Berenger com uma enorme cicatriz no rosto), os soldados americanos cometem várias atrocidades, como o assassinato de civis com imoderada crueldade. O próprio Chris se deixa influenciar pelo seu comandante e só muda de atitude quando o Sargento Elias (Willem Dafoe) aparece e confronta Barnes. Seguindo esse bom exemplo, Chris impede que seus colegas estuprem as meninas da vila. Oliver Stone foi muito corajoso ao filmar essa sequência, considerando que na época em que fez Platoon os Estados Unidos viviam a conservadora Era Reagan (entre 1981 e 1989).

Entre o bem e o mal

O filme mostra que a maior parte dos jovens soldados americanos vinha da classe baixa – trabalhadores sem ensino superior, convocados compulsoriamente. Eles contavam os dias para acabar o prazo de um ano de serviço militar para retornar para casa com os benefícios sociais prometidos. Chris era uma exceção, pois cursava a universidade quando resolveu se alistar voluntariamente para encontrar um sentido na vida. Isso explica a sua visão diferenciada sobre essa guerra, expressa nas cartas que ele escrevia para a sua avó, e que são usadas como narração. Segundo suas próprias palavras, Barnes e Elias disputavam a alma dele, ambos tentando cooptá-lo para as suas crenças radicalmente opostas.

Oliver Stone, sempre enfático sobre seu posicionamento, escancara que Barnes representa o mal e Elias o bem. O confronto entre os dois deixa esse antagonismo explícito. A câmera fechada nos olhos de Willem Dafoe mostra o seu alívio ao perceber que encontrou no meio da batalha um colega americano. Mas, logo depois, sua expressão se transforma em espanto ao descobrir as reais intenções de Barnes, que era eliminar o risco de ser denunciado por seus crimes de guerra.

À parte o posicionamento político, Platoon é também um tremendo filme de ação. O longa cria uma atmosfera claustrofóbica no campo de combate formado por uma selva densa, que o exército vietcongue usou como sua principal arma para derrotar os americanos.

Curiosamente, o título em inglês não foi traduzido no Brasil para o seu significado direto em português, “pelotão”. Intencionalmente ou não, o nome original instantaneamente vincula o filme aos Estados Unidos, distinguindo a Guerra do Vietnã de outras. O filme concorreu a oito Oscars, e venceu nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor edição (Claire Simpson) e melhor som.

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Ficha técnica:

Platoon | 1986 | 120 min. | Estados Unidos, Reino Unido | Direção: Oliver Stone | Roteiro: Oliver Stone | Elenco: Charlie Sheen, Tom Berenger, Willem Dafoe, Forest Whitaker, Francesco Quinn, John C. McGinley, Richard Edson, Kevin Dillon, Reggie Johnson, Keith David, Johnny Depp.

Distribuição: 20th Century Fox.

Onde assistir:
Willem Dafoe, Charlie Sheen e Tom Berenger em "Platoon" (divulgação)

Outras críticas:

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