Rosario

Título original: Rosario

Direção: Felipe Vargas

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 28/08/2025

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 4/10

O filme de terror Rosario não deixa dúvidas de ser obra de um diretor estreante. Após realizar alguns curtas-metragens, Felipe Vargas faz seu primeiro longa carregado de empolgação, mas sem o discernimento que a experiência porvir poderá trazer.  

Em seu caprichado site pessoal, Vargas se define como um cruzamento entre Guillermo del Toro e Terrence Malick. Porém, não dá para encontrar essa indigesta combinação em Rosario. O virtuoso malabarismo com a câmera, as recorrentes telas invertidas e os planos rodopiantes remetem mais ao início de carreira de Sam Raimi do que ao estilo viajante de Malick. Por outro lado, é claro que as influências de del Toro estão não só neste como em vários outros filmes de terror contemporâneos com criaturas fantásticas, aqui em várias aparições de mortos que retornam para assombrar os vivos. Por sinal, seres assustadores construídos com competência.

O uso insistente de vermes em cena para provocar nojo pode ser uma característica autoral desse diretor. Mas, que só os futuros trabalhos poderão confirmar – e a torcida é para que não seja essa a sua marca registrada. O que este cineasta colombiano-americano faz questão de salientar em sua biografia é seu interesse por mitologia latino-americana. E isso, de fato, impregna o enredo de Rosario, junto com o discurso para que os imigrantes latinos se mantenham conectados às suas origens.

O sonho americano

Esta é a lição que a protagonista Rose (Emeraude Toubia) aprende. Filha de imigrantes latinos, ela cresceu no modesto bairro de Brooklyn para hoje viver e trabalhar em Manhattan. Num cargo importante numa empresa do mercado financeiro, ela alcançou o sonho americano que motiva os imigrantes a deixarem seus países e tentarem a sorte na América.

A avó de Rose morre e, apesar de não a ver há anos, ela precisa ir até o apartamento da finada e aguardar a ambulância e cuidar dos trâmites do óbito. De repente (e sem muita explicação), fenômenos sobrenaturais surgem ao seu redor. Então, ao tentar descobrir o que acontece, Rose descobre um sinistro quarto secreto (grande demais para aquele apartamento), onde sua avó praticava rituais da religião Palo. Na verdade, o sucesso profissional de Rose resulta de uma promessa a Kobayende, deus da morte e das doenças, em troca de uma maldição.

Estilismo no caos

O filme exagera nas aparições sobrenaturais que se manifestam inúmeras vezes, sem nenhuma ordem ou justificativa. Por isso, apesar de bem elaborado, os seres do além perdem impacto a cada vez que aparecem e consequentemente assustam menos. Para frustração dos fãs do terror, Rose descobre informações sobre o culto através da internet, em primeiro lugar. Só depois ela encontra o tradicional livro antigo de rituais, como se o roteirista Alan Trezza se desse conta de sua falha. Além disso, por falta de uma solução imagética criativa, a protagonista precisa falar em voz alta para explicar o que está acontecendo, tirando toda a graça da ação. De qualquer maneira, o roteiro é um amontoado de acontecimentos aleatórios.

David Dastmalchian, de Entrevista com o Demônio (2023), mesmo num papel ingrato, acrescenta um importante toque de estranheza como o sinistro vizinho que insiste em entrar no apartamento da avó. Na verdade, as cenas com esse personagem são bem mais perturbadoras do que as ocorrências fora daquele local, como o cão que ataca Rose no túnel do metrô que parece não ter nenhuma relação com a maldição.

A amarração deste enredo com o tema da valorização da cultura original do imigrante é simplória. Nesse sentido, após os eventos terríveis, Rose prefere ser chamada pelo seu nome de registro, Rosario. Além disso, aceita como clientes os latinos com poucos recursos para investir.

Essa narrativa fraca não sustenta a proposta temática do jovem diretor Felipe Vargas e nem serve de meio para seu desbalanceado estilismo virtual.

___________________________________________

Ficha técnica:

Rosario | Rosario | 2025 | 88 min. | Colômbia, EUA | Direção: Felipe Vargas | Roteiro: Alan Trezza | Elenco: Emeraude Toubia, José Zúñiga, David Dastmalchian, Paul Ben-Victor, Diana Lein, Nick Ballard, Emilia Faucher.

Distribuição: Imagem Filmes.

Trailer:

Onde assistir:
Emeraude Toubia em "Rosario" (divulgação)

Outras críticas:

Rolar para o topo