Seis Dias Naquela Primavera

Título original: Six jours, ce printemps-là

Direção: Joachim Lafosse

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 21/05/2026

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

Em Seis Dias Naquela Primavera, o diretor belga Joachim Lafosse relata com leveza um momento crucial de Sana, uma mulher recém-divorciada que pretende passar uma semana de férias com os dois filhos pré-adolescentes e o novo namorado, Jules. Como o apartamento dele está cheio de gente, Sana decide ir de improviso, e às escondidas, à casa de praia do seu ex-sogro, na vila de Gassin, em Saint-Tropez.

Mas, essa situação não a deixa tranquila. Ao invés de relaxar, ela está sempre preocupada em não serem vistos. Sua inquietação, porém, não cria no espectador a sensação de suspense. Isso só vem a acontecer quando os filhos usam a piscina da casa vizinha e um homem os flagra. Por falar em flagrantes, o irmão mais velho descobre que a mãe está ficando com Jules. Sana, então, decide contar que eles são namorados, segredo que ela vinha mantendo até esse instante.

Depois que uma vizinha enxerida aparece de repente na casa, Sana percebe que é inútil eles se esconderem. A partir daí, se sente mais leve. Vai ao centro da vila, joga bocha com os idosos, e beija Jules em público no restaurante. No entanto, um evento um pouco antes de partir evidencia a verdade nua e crua: ela não pertence mais à família que era do marido. Na cena derradeira, entretanto, ela leva os filhos à praia, gesto que estabelece a sua definitiva conscientização sobre essa nova fase de sua vida.

Decupagem narrativa

A direção de Joachim Lafosse se destaca aqui pela decupagem. O cineasta trabalha muito bem os tempos das cenas. Na agitada rotina de Sana como mãe que cuida sozinha dos dois filhos, da casa e ainda trabalha, as cenas são curtas. Além disso, filmadas com a câmera na mão (sem tremulações desnecessárias, é importante dizer). Logo depois, quando ela parte com os meninos para as breves férias, as cenas duram mais tempo. O trajeto pela estrada se estende por minutos, assim como a conversa na rua com Jules, quando decidem e procuram onde se hospedar.

Toda a estadia em Gassin também mantém esse padrão, identificando as férias, apesar de Sana se sentir uma invasora e nunca relaxar. A última cena, em particular, é mais longa, e mostra a protagonista dirigindo o seu carro, com os dois filhos, para ir embora da vila. Mas, antes de sair do local, decide dar o retorno e ir à praia. A duração estendida caracteriza a paz interior que ela finalmente alcança. Nesse instante, ela entende que está se despedindo da casa da praia, que simboliza o vínculo com o casamento que não deu certo. Dessa relação, ela leva os filhos, nada mais.

Dentre os filmes de Joachim Lafosse com críticas aqui no Leitura Fílmica, Seis Dias Naquela Primavera é superior a Um Silêncio (2024), e está no mesmo patamar de Propriedade Privada (2006). Nos três, Lafosse demonstra capacidade de usar a forma em benefício da narrativa, qualidade essencial para todo diretor de cinema que se preze.

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Ficha técnica:

Seis Dias Naquela Primavera | Six jours, ce printemps-là | 2025 | 92 min. | França, Luxemburgo, Hungria | Direção: Joachim Lafosse | Roteiro: Joachim Lafosse, Chloé Duponchelle, Paul Ismaël | Elenco: Eye Haïdara, Jules Waringo, Leonis Pinero Müller, Teoudor Pinero Müller, Emmanuelle Devos, Damien Bonnard.

Distribuição: Zeta Filmes.

Trailer:

Cena de "Seis Dias Naquela Primavera" (divulgação/Zeta Filmes)

Outras críticas:

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