Supergirl

Título original: Supergirl

Direção: Craig Gillespie

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 25/06/2026

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

3

/5

Supergirl traz uma benvinda arejada no cinema de super-heróis. O novo filme da personagem responde à constatação de que o estrondoso sucesso dos coletivos Vingadores e Liga da Justiça dificilmente se repetirá e tanto a Marvel quanto a DC apostam agora em histórias independentes.

A DC resgatou com sucesso uma das suas propriedades intelectuais mais valiosas, o Superman, no filme de James Gunn lançado em 2025. O resultado nas bilheterias foi positivo, embora não um megassucesso. Obteve o suficiente para concretizar o gancho para um spin-off com a Supergirl, surpresa que apareceu na cena pós-créditos. Interpretada por Milly Alcock, da série A Casa do Dragão (2022), o breve trecho apresenta a prima de Clark Kent voltando embriagada de uma balada para pegar de volta seu cachorro Krypto. Muitos fãs torceram o nariz para essa versão desleixada da heroína.

Agora que o filme Supergirl está pronto, a expectativa negativa em relação à personagem se desfaz. A quebra de paradigma injeta um frescor inexistente em Superman, evitando que o spin-off apresente uma mera versão feminina do super-herói de Kripton. A decisão de caracterizar Kara Zor-El como uma bad girl junkie (quanto a bebidas, afinal se trata de um filme juvenil) é uma novidade inesperada e corajosa. E mais assertiva para humanizá-la do que a versão “adolescente bobinho” do Homem-Aranha nos filmes protagonizados por Tom Holland.

Heroína vulnerável

Mas, a intenção de desconsertar a imagem de herói quase invencível que tem o Superman por causa de seus superpoderes cria uma vulnerabilidade além da conta para a Supergirl. Como a trama se passa no espaço, e não na Terra, ela fica sem superpoderes quando não conta com a energia de um sol amarelo. E, no filme, ela se vê enfraquecida em várias situações, inclusive porque os inimigos utilizam também a kriptonita, conhecido ponto fraco dos kriptonianos.

Isso impacta negativamente na percepção do público em relação à heroína por conta das soluções Deus ex machina e da salvação pela intervenção de outro personagem, o mercenário Lobo interpretado por Jason Momoa. Esse personagem, aliás, tem apenas função cômica (desnecessário porque a própria Supergirl fornece o humor), mas também serve como muleta caso a protagonista não conquiste o público.

Ainda em relação à protagonista, seu arco embala a mensagem pouco impactante sobre a importância de cultivar relacionamentos com outras pessoas. Nesse quesito, a coprotagonista Ruthye, papel de Eve Ridley, é um arquétipo melhor. Após testemunhar o assassinato de sua família, a garota adolescente busca vingança. Mas, no final da jornada, a Supergirl a convence de que o ódio não é a resposta.

Apropriação de filmes do gênero

Nitidamente, o filme se apropria de elementos de outras produções hollywoodianas do gênero fantástico. De Star Wars, incorpora a presença de diversas criaturas alienígenas ao longo da história, aproveitando o fato de a trama acontecer no espaço. O próprio personagem Lobo parece vir desse universo criado por George Lucas, mas o caçador de recompensas de Jason Momoa fica muito aquém do Han Solo de Harrison Ford. Já o vilão Krem e sua turma de bandidos sequestradores de mulheres são uma provável influência de Mad Max, principalmente dos dois longas mais recentes (incluindo aí o Furiosa [2024]).

O diretor Craig Gillespie prova que é um diretor de estúdio, e não um autor. Ou seja, possui a versatilidade de filmar com competência diferentes gêneros – seus filmes mais recentes incluem o drama Eu, Tonya (2017), a fantasia juvenil Cruella (2021) e a comédia Dinheiro Fácil (2023). Desta vez, para dar vida a um longa de super-herói com um pé na ficção-científica, busca o atalho das influências bem-sucedidas. De fato, um dos melhores momentos recorre ao uso de música pop durante cenas de ação, característica marcante em Guardiões da Galáxia, a trilogia de James Gunn, justamente o diretor de Superman (2025). O trecho ao qual me refiro é aquele filmado na perspectiva da menina Ruthye, que observa a Supergirl detonando os inimigos em câmera lenta.

Supergirl de Craig Gillespie acerta na desconstrução da protagonista, mas se entope de apropriações de outros filmes do gênero. Com isso, fica no meio do caminho entre o frescor da originalidade e a mesmice da repetição.

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Ficha técnica:

Supergirl | 2026 | EUA | Direção: Craig Gillespie | Roteiro: Ana Nogueira | Elenco: Milly Alcock, Matthias Schoenaerts, Eve Ridley, Jason Momoa, David Krumholtz, Emily Beecham, Alice Hewkin, Ferdinand Kingsley, Wil Coban.

Distribuição: Warner Bros. Pictures.

Trailer:

Onde assistir:
Milly Alcock e Eve Ridley em "Supergirl"

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