O filme Terror em Silent Hill prefere não se arriscar na adaptação visual do videogame “Silent Hill” e toma liberdades apenas em relação a alguns pontos da trama. Assim, reproduz na tela grande os cenários e as criaturas sobrenaturais do jogo, sem a preocupação de parecer muito real. Portanto, é uma versão live action, claro, com atores, mas que se aproxima muito da criação computadorizada do material original. Para os fãs do game, isso não causa estranhamento nenhum, pelo contrário, eles certamente se deliciam com tal similaridade. Mas aqueles espectadores que procuram apenas um filme de terror podem reclamar por soar artificial demais.
A direção do francês Christophe Gans, neste seu terceiro longa, se destaca especialmente na sequência inicial, que acontece fora do ambiente do game. Nela, a protagonista Rose da Silva (parece nome brasileiro, mas o papel é da ótima atriz australiana Radha Mitchell) sai desesperadamente de casa à noite à procura da sua filha Sharon (Jodelle Ferland), que é sonâmbula e não está mais na casa. Esse trecho repleto de tensão culmina na aflição da mãe ao ver que a filha está à beira de um precipício. O diretor Christophe Gans filma essa abertura e a sequência seguinte (na qual Rose leva Sharon até Silent Hill) utilizando muitos planos curtos filmados por diferentes ângulos e com bastante movimentação de câmera (sem tremulações). O resultado é uma narrativa emotiva e fácil de se seguir.
Ambientação do game
A partir da chegada das duas à cidade fantasma de Silent Hill, no estado americano de West Virginia, o diretor Christophe Gans prefere replicar as perspectivas utilizadas no game, o que auxilia na réplica da ambientação. Nas cenas externas, predomina uma névoa e flocos brancos que caem do céu. Não se trata de neve, mas de fumaça e cinzas, resquícios sobrenaturais do incêndio que devastou a cidade em 1974. Os trechos mais assustadores, porém, acontecem em ambientes internos, onde predominam o escuro e a degradação. E, acima de tudo, as criaturas grotescas, oriundas das mentes dos criadores do game.
Sharon é a filha adotada do casal Rose e Christopher (Sean Bean). Sem esperar o marido, Rose leva a filha até Silent Hill porque a menina mencionou mais de uma vez essa cidade durante suas crises de sonambulismo. Além disso, Sharon veio dessa região. O roteiro não explica bem o motivo de Rose partir nessa jornada sem o marido. Aliás, esse personagem masculino nem precisava existir, pois suas ações são inócuas e, sem elas, o filme não precisaria ser tão extenso (tem mais de duas horas).
A estrutura do filme acompanha a do jogo “Silent Hill” e dos games em geral. Mostra a protagonista avançando na direção de seu objetivo (encontrar a filha), daí passando por diversos cenários onde enfrenta criaturas específicas de cada lugar. E, por fim, quando se aproxima da sua meta, entra um vídeo com aparência envelhecida desvendando o segredo da cidade. A conclusão não é aberta, mas entrega de forma indireta qual foi o destino de Rose e Sharon.
Terror em Silent Hill cumpre com louvor a sua proposta de inserir live action no universo do game. Não agrada tanto aos espectadores em geral, mas é certeiro em relação ao seu público-alvo.
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Ficha técnica:
Terror em Silent Hill | Silent Hill | 2006 | 125 min. | Canadá, França, Japão, Estados Unidos | Direção: Christophe Gans | Roteiro: Roger Avary | Elenco: Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden, Deborah Kara Unger, Kim Coates, Tanya Allen, Alice Krige, Jodelle Ferland.
Distribuição: Sony Pictures.



