Em Toy Story 5, a liderança do quarto de Bonnie agora pertence a Jessie. A rotina do grupo de brinquedos sofre um abalo com a chegada de Lilypad, um tablet em formato de sapo que monopoliza a atenção da menina. Bonnie se isola e passa a ignorar seus antigos companheiros.
Longe dali, por conta do afastamento de sua dona, Jessie e Bala no Alvo acabam esquecidos durante um passeio e vão parar na fazenda de Emily, antiga dona da caubói. Lá, eles conhecem Blaze, uma menina que adora brinquedos físicos, e uma comunidade de eletrônicos obsoletos comandada por Smarty Pants.
Paralelamente, Woody e Buzz Lightyear partem em uma missão de resgate. No caminho, cruzam com um exército de unidades desorientadas do patrulheiro espacial, sobreviventes de um contêiner naufragado.
O conflito central atinge o ápice quando as novas conexões virtuais de Bonnie zombam de seus brinquedos tradicionais. Arrependida, Lilypad tenta se doar, mas é salva pelo grupo. Unindo forças com os dispositivos antigos e o exército de Buzz, os brinquedos articulam um plano digital para promover um encontro real entre Bonnie e Blaze.
Crítica social e o impacto das telas na infância
Dirigido pela estreante McKenna Harris e pelo experiente Andrew Stanton (de Procurando Nemo, WALL-E e outros), que também assinam o roteiro, Toy Story 5 defende com mais veemência do que qualquer outro filme da franquia uma mensagem social. É verdade que — não sejamos ingênuos — sempre existe um interesse comercial por trás (no caso, o da indústria de brinquedos e dos estúdios, estes pelo licenciamento). Porém, é notória a preocupação geral a respeito da força viciante das telas e mídias, principalmente sobre as crianças.
Em uma abordagem lúdica, os brinquedos da franquia se sentem desprestigiados quando a dona para de brincar com eles para se concentrar no uso de um aparelho eletrônico — no caso, um tablet. Notoriamente, essa troca prejudica a socialização com outras crianças e a capacidade de imaginação. Assim, antes de ganhar seu tablet, Bonnie tenta, mas nunca consegue iniciar uma amizade com os vizinhos. Quando sua criatividade está livre dos eletrônicos, ela consegue imaginar situações com seus brinquedos; trechos que ganham o visual de desenhos em crayon, simbolizando a infância.
Em uma crítica mais direta, Bonnie cai em depressão após ser vítima de cyberbullying em um grupo nas redes sociais. Se em adultos o efeito acumulado de mensagens negativas pode ser devastador, imagine em uma criança. Mas o filme, sempre pensando no bem-estar de todo o ecossistema em torno dos direitos intelectuais, não faz um ataque rigoroso à tecnologia. Lilypad, o tablet de Bonnie, recebe o apoio dos brinquedos, pois ela não tem realmente culpa.
É como se o filme desse as mãos para o ainda inédito O Outro Lado das Redes (The Social Reckoning, 2026), longa que mostra como os algoritmos criados pelo Facebook incentivavam o fortalecimento de haters. A conclusão, tipicamente da Disney, é otimista: Bonnie brinca com sua nova amiga, seus velhos brinquedos e junto com o tablet Lilypad.
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Ficha técnica:
Toy Story 5 | Toy Story 5 | 2026 | 90 minutos | Estados Unidos | Direção: Andrew Stanton | Roteiro: Andrew Stanton, McKenna Harris | Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Greta Lee, Conan O’Brien, Tony Hale, Craig Robinson, Shelby Rabara.
Distribuição: Walt Disney Pictures.



