O filme Transamazônia se junta a outros que lançam um olhar estrangeiro para o Brasil. Desta vez, sem a visão distorcida identificada por Lucia Murat em seu documentário sobre o tema. O problema aqui é a falta de capacidade de envolver o público.
Dirigido pela sul-africana Pia Marais, e com roteiro dela junto com Willem Drost e Martin Rosefeldt, o longa se inspira na história de uma garota que sobreviveu a um acidente de avião na floresta amazônica, nos anos 1970. No filme, a personagem derivada é interpretada por Helena Zengel, a menina de Transtorno Explosivo (2019) e Relatos do Mundo (2020), hoje já uma mocinha (ela nasceu em 2008). Única sobrevivente da queda de um avião, confundem-na com a filha do missionário Lawrence Byrne (Jeremy Xido).
O filme prefere não definir claramente as intenções dos seus personagens. Assim, não sabemos se o missionário tinha intenções puras ao fingir que a menina encontrada era a sua filha Rebecca ou se fez isso para aproveitar a repercussão desse fato, considerado um milagre, em proveito de sua igreja. Rebecca, por sinal, faz a sua parte nas missas do pai, falando aos fiéis, cantando as canções religiosas, e pedindo o milagre a Deus, mas no dia a dia não assume um comportamento de santa salvadora. No entanto, não se discute se os milagres são verdadeiros, essa questão fica fora do enredo.
Uma viagem sem muita emoção
A narrativa se concentra em dois conflitos. Uma de cunho geral, envolvendo os madeireiros de um lado e os povos indígenas de outro. Estes últimos bloqueiam uma estrada em protesto pela invasão de seu território. Rebecca toma o partido de seus amigos indígenas, enquanto o pai dela não se posiciona, limitando-se a defender uma solução pacífica. E essa solução pode acontecer, pois se Rebecca conseguir curar a esposa de um dos sócios da madeireira, este promete ir embora. No âmbito pessoal, Rebecca e Lawrence caminham para um confronto porque a garota descobre que não é a filha desse homem. Porém, sem muita profundidade, e chegam a soluções simplistas.
Mas, o filme não consegue provocar o impacto dramático suficiente para envolver o público. Várias situações acontecem, mas sem muita emoção, porque não se aprofunda em nenhuma delas. Transamazônia se assemelha a uma viagem pela estrada que lhe dá nome, longa e sempre apresentando a mesma paisagem.
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Ficha técnica:
Transamazônia | Transamazonia | 2024 | 112 min. | França, Alemanha, Suíça, Taiwan, Brasil | Diretora: Pia Marais | Roteiro: Pia Marais, Willem Drost, Martin Rosefeldt | Elenco: Helena Zengel, Jeremy Xido, Sabine Timoteo, Hamã Sateré, Rômulo Braga, Philipp Lavra, Sérgio Sartório, Iwinaiwa Assurini, Pirá Assurini, João Victor Xavante, Kamya Assurini.
Distribuição: Filmes do Estação.
Trailer:



