Três Vezes Adeus

Título original: Tre Ciotole

Direção: Isabel Coixet

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 01/10/2026

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

1.5

/5

A diretora espanhola Isabel Coixet transforma o livro “Tre Ciotole”, de Michela Murgia, num dramalhão apelativo. Com o título nacional Três Vezes Adeus, o filme acompanha o triste crepúsculo da vida de Marta que, depois de seu companheiro Antonio dar fim ao relacionamento de sete anos deles, descobre que está com câncer em estágio avançado.

Alba Rohrwacher interpreta a protagonista com o seu habitual semblante introspectivo e apático. Por isso, em dois rompantes de raiva, precisa recorrer a gestos físicos. Após a separação, sua personagem, que é professora de educação física, arremessa bolas de vôlei na quadra após a aula. E quando descobre que o tratamento não está funcionando, joga no chão a embalagem dos medicamentos que tomou. Não há closes dela, nem nestas cenas, nem naquela em que ela anda de bicicleta pelas ruas de Roma depois de saber que está com câncer – em câmera lenta e com trilha musical triste, num dos muitos momentos preparados para emocionar o espectador.

Apelativo e repleto de erros

As duas horas de duração do filme parecem intermináveis, por conta de sequências artificiais ou desnecessárias. Entre as artificiais, está aquela em que a voz em off de Marta lamenta a morte de um pombo provocada por moleques da escola, enquanto ela e duas alunas fazem um ritual para enterrá-lo. O trecho final também é um exemplo desse artificialismo, pois mostra a festa que a protagonista pediu para sua irmã preparar depois de sua morte. Essa conclusão causa estranheza porque os convidados são personagens que apareceram no filme, mas que não são próximos da falecida e, portanto, não tem sentido estarem ali nesse momento de despedida.

Vários desses personagens participam das sequências desnecessárias. Como as que envolvem a funcionária (depois ex-funcionária) do restaurante de Antonio, cuja exposição é desproporcional à sua importância para a trama. O deslocamento do protagonismo para Antonio também é uma perda de tempo. Além disso, há momentos mal encenados, como a que Marta inicia um romance com seu colega professor sem dizer nada sobre sua doença, o que confere uma não-intencional sensação de desonestidade por parte dela.

Outros trechos que surgem do nada e parecem artificiais poluem o filme, como a conversa de Marta com a médica no terraço de um prédio, e com a funcionária do restaurante, que ela mal conhece, num bar. Isabel Coixet, além de tudo, cai em tolices como mostrar a imagem de uma ameba só porque ela foi mencionada no diálogo.

Para piorar, o filme ainda arrisca uma brincadeira com um pé no fantástico sobre o fato de Marta conversar com um cartaz em tamanho natural de um cantor de K-Pop para compensar a sua solidão. Três Vezes Adeus apela para a empatia emocional fácil, e nem assim comove, pois está repleto de erros.

O filme fez parte da mostra 8½ Festa do Cinema Italiano, que aconteceu entre 25 de junho e 1º de julho de 2026.

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Ficha técnica:

Três Vezes Adeus | Tre ciotole | 2025 | 120 min. | Itália e Espanha | Direção: Isabel Coixet | Roteiro: Enrico Audenino, Isabel Coixet | Elenco: Alba Rohrwacher, Elio Germano, Silvia D’Amico, Galatea Bellugi, Francesco Carril, Sarita Choudhury.

Distribuição: Autoral Filmes.

Onde assistir:
Alba Rohrwacher e Elio Germano em "Três Vezes Adeus" (Autoral Filmes/crédito Greta de Lazzaris)

Outras críticas:

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