Tron: Ares

Título original: Tron: Ares

Direção: Joachim Rønning

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 09/10/2025

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 6,5/10

A franquia Tron sempre se fundamentou na tecnologia. O primeiro filme, Tron – Uma Odisseia Eletrônica (1982), de Steven Lisberger, ousou nos efeitos visuais para colocar pessoas dentro de um videogame. Quase trinta anos depois, surgiu Tron: O Legado (2010), de Joseph Kosinski, para repetir o feito com uma gigantesca evolução na computação gráfica. O terceiro filme, Tron: Ares surge agora com uma proposta ousada, que envolve o enredo também, trazendo personagens e máquinas do game para o mundo real.

Até a recapitulação do que já aconteceu na franquia usa tecnologia de ponta. Ares (Jared Leto), personagem do game, na função de Master Control, acessa os arquivos para entender o contexto no qual se encontra. As ordens de seu criador, o atual CEO da Dillinger Systems, Julian Dillinger (Evan Peters), são para que ele encontre Eve Kim (Greta Lee), a CEO da concorrente Encom, para conseguir o Código de Permanência que ela encontrou e que permite que os personagens e objetos digitais da Grade (o ambiente dos jogos) possam existir definitivamente no mundo real. Embora já seja possível fazer essa transição, a duração é limitada. Porém, quando Ares descobre que isso poderá matar Eve, ele decide se rebelar. Então, Dillinger envia Athena (Jodie Turner-Smith) para cumprir essa missão.

Foco na tecnologia

Os efeitos visuais, como esperado, impressionam. Conseguem superar o desafio de inserir criações digitais dentro do mundo físico, evitando aquele artificialismo que atrapalha a experiência. Nesse contexto, destaca-se a perseguição em motos digitais entre Ares e Eve pelas ruas de uma cidade grande americana, principalmente por causa daqueles icônicos rastros sólidos de laser do primeiro filme. Os rastros de luzes dos movimentos nas lutas (de cores vermelha ou branca, dependendo de que lado o personagem está) produzem, também, um belo visual.

Além disso, Tron: Ares ainda investe na nostalgia dos anos 1980, tão em moda atualmente. Em parte, por trazer de volta alguns dos personagens antigos. Mas, também, porque a trama leva Ares para dentro do game do primeiro filme, encontro que enfatiza a diferença tecnológica dessas duas épocas. A trilha musical do Nine Inch Nails ainda acrescenta aquela sonoridade eletrônica que marcou aquela década.

O roteiro deixa a impressão de que foi escrito com o objetivo de dar vazão à ideia de transportar o digital para o mundo real com credibilidade (não como Pixels [2015]). Por isso, soa bem simplista e ignora o efeito devastador que essa descoberta provocaria. Tudo se resolve rapidamente, inclusive com aquelas titubeadas reservadas exclusivamente aos vilões para que os heróis escapem. O diretor Joachim Rønning, um profissional competente em realizar trabalhos encomendados pelos estúdios – como Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (2017) e Malévola: Dona do Mal (2019) -, se limita a cumprir com competência o que lhe foi pedido.

Tron: Ares cumpre a função de ser tecnologicamente inovador, que parece ser a essência dessa franquia. Em contraponto, esse terceiro filme abandona a carga dramática que aprofundava os personagens dos dois anteriores. Não há conflitos pessoais, apenas a disputa pelo conhecimento e pela riqueza. O foco se concentra mesmo na tecnologia.   

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Ficha técnica:

Tron: Ares | 2025 | EUA | Direção: Joachim Rønning | Roteiro: Joachim Rønning, Jack Thorne | Elenco: Jared Leto, Evan Peters, Greta Lee, Jodie Turner-Smith, Cameron Monaghan, Sarah Desjardins, Gillian Anderson, Arturo Castro.

Distribuição: Walt Disney Studios.

Trailer:

Onde assistir:
Greta Lee em "Tron: Ares"
Greta Lee em "Tron: Ares"

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