O filme Tubarão de Guerra acompanha um grupo de soldados australianos à deriva no mar depois que seu barco é destruído por aviões japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. A situação desesperadora se agrava por conta dos ataques de um feroz tubarão branco cuja fome parece insaciável.
Antes disso, a longa primeira parte apresenta os personagens como soldados em treinamento. Alguns coadjuvantes ganham espaço, mas o protagonismo se concentra em um relacionamento simplificado entre três jovens. O principal é Leo, descendente de povos originários que sofre com o trauma de não ter conseguido salvar um irmão (ou amigo) da investida de um tubarão. No pelotão, ele protege o colega Will dos ataques de bullying do maldoso Des, agindo como se o amigo fosse um substituto da pessoa que perdeu.
O flashback do evento traumático é filmado com um visual estilizado, com cores fortes e um certo impressionismo que se mostram pertinentes por tratarem de lembranças carregadas de alta carga emocional. Porém, o recurso surge demasiadas vezes durante o filme, relembrando a todo instante que o protagonista padece desta angústia.
Baixo orçamento e efeitos visuais artificiais
O problema maior é que, quando a trama se transfere para o alto-mar, com os poucos soldados sobreviventes em cima de uma jangada improvisada, o visual parece tão artificial quanto os flashbacks. Fica escancarado que as cenas foram filmadas em estúdio, com uso intenso de computação gráfica. O nevoeiro denso, sempre presente, tem a finalidade narrativa de justificar a dificuldade de algum barco ou avião encontrar os náufragos, mas também se faz necessário para esconder as paredes do estúdio.
Apesar do título, o tubarão aparece pouco. Ele está sempre à espreita dentro do mar, mas invisível aos olhos. Este artifício também é usado para disfarçar a falta de orçamento para criar um predador convincente. De fato, os efeitos visuais — já que não parece que usaram efeitos práticos — são sofríveis.
O roteiro tenta se adaptar ao baixo orçamento. No lugar dos ataques do predador, os conflitos entre os personagens (principalmente os três principais) ocupam a maior parte da história e caminham para situações totalmente previsíveis. É mais filme de sobrevivência do que de tubarão. Afastando-se ainda mais da premissa prometida pelo título, um piloto japonês surge para enfrentar os australianos.
Tubarão de Guerra decepciona quem busca um filme com tubarões, assim como desagrada quem prefere produções de guerra. A CGI condena as cenas de ação, e os conflitos interpessoais são superficiais e clichês. Deslize o seu controle remoto para outra opção melhor.
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Ficha técnica:
Tubarão de Guerra | Beast of War | 2025 | 87 min. | Austrália | Direção: Kiah Roache-Turner | Roteiro: Kiah Roache-Turner | Elenco: Mark Coles Smith, Joel Nankervis, Sam Delich, Lee Tiger Halley, Maximillian Johnson, Masa Yamaguchi.
Distribuição: HBO Max.



