Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda vai para a caixa de sequências tardias que não deveriam ter sido filmadas. O filme original, Sexta-Feira Muito Louca (2003) teve direção do especialista em comédias Mark Waters e Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis em ótima forma como, respectivamente, uma adolescente e uma mãe de quarenta que trocam de corpos.
Para esta continuação, o diferencial está na quantidade de personagens que encarnam esse bizarro fenômeno. Além da mãe e da filha, Tess e Anna, novamente vividas por Curtis e Lohan, trocam de corpo Harper (Julia Butters), a filha teen de Anna, e Lily (Sophia Hammons), a colega da sua classe que ela não suporta. Antes da troca, o pai viúvo de Lily, Eric (Manny Jacinto), e Anna se conhecem na escola e se apaixonam, e em seis meses decidem se casar. Então, repetindo o mecanismo do filme original, a troca de corpos serve para os envolvidos se conhecerem melhor e decidirem se o casamento deve ou não acontecer.
Ritmo prejudicado
Esse aumento quantitativo, porém, afeta negativamente a fluidez do filme. E, para uma comédia que flerta com o pastelão (inclusive com uma guerra de comida na escola), o ritmo acelerado é crucial. O público precisa embarcar na piada sem ter tempo de analisar e pensar que o que vê na tela não passa de uma enorme besteira. Pois isso acaba acontecendo em algumas cenas, como na citada guerra de comida e no trecho em que as personagens adolescentes, nos corpos de adultas, dirigem malucamente pelas ruas.
A desaceleração acontece porque o espectador precisa deduzir, e depois se lembrar, de quem está no corpo de quem. Para amenizar esse problema, o enredo divide essas personagens em duplas. As adolescentes ficam de um lado, com Tess no corpo de Lily e Anna no corpo de sua filha Harper. Assim, a outra dupla é formada por Lily e Harper nos corpos das adultas Tess e Anna, respectivamente. Ou seja, de novo mãe e filha ganham nova oportunidade de se entenderem melhor. A novidade, desta vez, é as duas colegas de classe se colocarem no lugar uma da outra.
A dificuldade para se reconhecer de pronto quem é quem acontece também porque o filme não consegue explorar a graça de uma personagem demonstrando os trejeitos daquela que entrou em seu corpo. No primeiro filme, era muito engraçado ver Jamie Lee Curtis agindo como a filha adolescente e Lindsay Lohan imitando Curtis. Em Uma Sexta-Feira Muito Louca, essa oportunidade é desperdiçada.
Constrangedor
A direção agora está nas mãos de Nisha Ganatra, que tem mais experiência filmando episódios de série do que cinema. Por conta dessa experiência, não traz nada de novo, nenhuma marca pessoal, além de apresentar algumas falhas. Sem contar cenas que simplesmente não funcionam, como a reunião da diretora da escola (em péssima atuação de X Mayo) com Anna e Eric. E ver Jamie Lee Curtis com aquela roupa rosa e cabelos amarrados como o da apresentadora Xuxa deixa uma constrangedora certeza de que esse filme não devia ter sido feito. Vale mais rever o filme original.
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Ficha técnica:
Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda | Freakier Friday | 2025 | EUA | Direção: Nisha Granata | Roteiro: Jordan Weiss | Elenco: Jamie Lee Curtis, Lindsay Lohan, Chad Michael Murray, Mark Harmon, Julia Butters, Manny Jacinto, Chloe Fineman.
Distribuição: Walt Disney Studios.



