Mais um diretor estreante de terror está despontando na indústria do cinema. O canadense Ian Tuason chamou a atenção com Undertone, seu primeiro longa, e está cotado para dirigir o novo filme da franquia Atividade Paranormal.
Undertone consegue construir uma atmosfera assustadora com uma produção extremamente econômica. Apenas dois atores aparecem em cena. E, basicamente, somente Nina Kiri, no papel da protagonista Evy, de fato atua. Michèle Duquet, que faz a sua mãe à beira da morte, permanece quase o tempo todo desacordada – as exceções são breves e representam as aparições sobrenaturais da trama. Dos demais personagens, apenas se ouve suas vozes. Isso vale até para uma enfermeira que visita a mãe e que fica atrás de uma parede.
Enquanto cuida sozinha da mãe em casa, Evy mantém um podcast sobre fenômenos paranormais com seu amigo Justin, que mora em outra cidade. Nas gravações, Evy assume uma postura cética, enquanto o outro apresentador é mais aberto ao sobrenatural. Justin recebe um email com arquivos de áudio misteriosos, e os dois apresentadores ouvem e comentam sobre o material no programa. À medida que avançam nessa exploração, mais os arquivos se aproximam da situação vivida por Evy.
Construindo a atmosfera
O filme conduz o espectador a desvendar os áudios junto com os protagonistas. Lembrando os esforços de John Travolta em Um Tiro na Noite (Blow Out, 1981), de Brian De Palma, eles manuseiam os trechos que receberam. Recortam o áudio, ouvem de trás para frente, e desconfiam que existe um mantra de invocação que conduz a uma tragédia brutal. Esse exercício de escuta potencializa o clima assustador do filme.
Além disso, o diretor Ian Tuason constrói a atmosfera aterrorizante que predomina no filme inteiro trabalhando todos os elementos da mise-en-scène. Por todo lado da casa, há imagens e objetos religiosos, porque a mãe é uma católica fervorosa. A ausência de outros personagens em cena incrementa a sensação de isolamento da protagonista, considerando ainda que a sua mãe está inconsciente. Nos enquadramentos, a câmera reserva um grande espaço para lugares vazios. São recorrentes os planos, estáticos ou móveis, que mostram a escada que leva para os quartos do andar de cima (onde está a mãe), com a cozinha desocupada embaixo, enquanto Evy usa o computador na mesa da sala de jantar, geralmente de madrugada.
Recursos básicos do terror também fazem parte de Undertone. Um vulto branco surge em alguns momentos, atrás de Evy e em reflexos, sem que a protagonista perceba. O último suspiro da mãe serve como gatilho para a avalanche sobrenatural que domina o trecho final. Contudo, nesse momento, por restrição orçamentária ou por opção artística, o filme deixa de entregar todo o potencial de terror que o espectador estava preparado para enfrentar. Se tivesse ido até as últimas consequências, o resultado seria ainda melhor.
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Ficha técnica:
Undertone | 2026 | 93 min. | Canadá | Direção: Ian Tuason | Roteiro: Ian Tuason | Elenco: Nina Kiri, Kris Holden-Ried, Michèle Duquet, Keana Lyn Bastidasand, Sarah Beaudin, Seled Calderon, Adam DiMarco.










