Adotando uma narrativa em espiral, Variações sobre um Tema sempre volta às mesmas situações, com os mesmos personagens de uma comunidade pobre sul-africana, nos mesmos lugares. A câmera permanece fixa, capturando o que está à sua frente, como em um documentário filmado às escondidas. Só não se configura assim porque as pessoas estão próximas demais da lente.
Em suas conversas, existe a esperança de receberem um dinheiro do governo por conta dos serviços prestados à nação por seus ascendentes, quando lutaram na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Porém, é necessário pagar uma taxa administrativa para solicitar esse subsídio. O tempo passa, os prazos se dilatam e uma nova taxa é cobrada. Assim, as pessoas continuam sempre na mesma situação, a cada volta dessa espiral.
O toque fantástico trazendo o alerta do passado
Uma narração em off apresenta e explica algumas situações. Entre elas, a do burro que repetidamente tenta fugir, mas é sempre capturado. Nada muda para ele, nem para essas pessoas que esperam pelo subsídio, mas nunca recebem e nunca saem da pobreza.
O filme se abre para um toque fantástico: um copo de leite que se move sozinho e cai no chão, o gato que pressente algo, até chegar à presença do parente que foi para a guerra. É a voz do passado que tenta alertar o seu descendente para que ele não seja enganado como ele foi. Na simbologia da espiral, esse elemento quer evitar que a volta da curva maior repita o erro de acreditar nos governantes. Disseram aos combatentes que eles seriam bem recompensados ao retornarem da guerra, mas só ganharam uma bicicleta.
Variações sobre um Tema está na programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
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Ficha técnica:
Variações sobre um Tema | Variasies op’n Tema / Variations on a Theme | 2026 | 65 min. | África do Sul, Países Baixos, Qatar | Direção: Jason Jacobs, Devon Delmar | Roteiro: Jason Jacobs, Devon Delmar | Elenco: Hettie Farmer, Magdalena Links, Gladwin van Niekerk, Regan Nontas.



