Sucesso de bilheteria, com mais de 720 mil ingressos vendidos, o filme Vitória retrata a história real de uma senhora idosa que filmou a ação de traficantes em frente ao seu apartamento e levou a sua denúncia à polícia.
O enredo se passa na Ladeira da Misericórdia (na realidade, o ponto de tráfico ficava na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana), no Rio de Janeiro. Conforme mostra o longa, não foi um processo tranquilo, porque Nina (Fernanda Montenegro) primeiro entregou suas provas na delegacia mais próxima, sem saber que o delegado estava envolvido com os criminosos. Ela, então, levou as suas fitas para uma investigadora que deu uma entrevista para a televisão. Mas, quem mais a ajuda é o repórter Flávio Godoy (Alan Rocha).
A protagonista
A força do filme está na personagem principal, que dispõe de muito tempo na tela para a sua construção. Ficam evidentes tanto a sua disposição de lutar contra os criminosos como o seu medo de sofrer uma violenta retaliação. A vontade dela não fica só na discussão na reunião do condomínio, ela toma atitudes práticas, ainda que tenha que superar os obstáculos da burocracia e, principalmente, da corrupção.
A motivação ganha estímulos pessoais, pois ela testemunha a morte da atendente do caixa do mercado, e vê o menino que ela ajuda ser aliciado através de drogas. O medo que ela sente também não fica só na ameaça, pois ela chega a ser sequestrada para prestar seus serviços de massoterapia num dos chefões do tráfico. É claro que esses artifícios da trama servem para deixar tudo bem mastigado para o público engolir mais facilmente o drama. Esta sequência do sequestro, inclusive, tenta suprir a falta de ação do filme, mas cria uma situação meio tola. O simbolismo da xícara de porcelana que se quebra durante um tiroteio e que Nina tenta depois, inutilmente, colar parece também óbvia demais.
Junto à narrativa, o que fortalece a personagem é a atuação de Fernanda Montenegro, com quem o diretor Andrucha Waddington já havia trabalhado em seu filme Casa de Areia (2025), que contava também com Fernanda Torres. A atriz consegue reunir tanto a força como a fragilidade que marcam Nina.
Filme adequado para atingir o grande público
Wadddington, na maior parte do tempo, realiza um belo trabalho na direção. Escolhe enquadramentos significativos – por exemplo, aquele com Nina na rua filmada de dentro de um bingo clandestino através de uma pequena porta e as várias camadas (sala na frente, cozinha ao fundo) dentro do apartamento dela . Mas, cai no clichê da visão geral da favela filmada por um drone, que atrapalha a narrativa, pois a visão mais fechada do local daria uma sensação de perigo maior na cena do sequestro.
Vitória cumpre sua intenção de atingir o grande público. Conta com uma atriz de porte, e uma história enaltecedora que revela o ato de uma heroína anônima que se arriscou para tentar melhorar a sua comunidade. Fácil de se ver e de gostar, é um produto adequado para a sua proposta.
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Ficha técnica:
Vitória | 2025 | 112 min | Brasil | Direção: Andrucha Waddington | Roteiro: Paula Fiuza | Elenco: Fernanda Montenegro, Linn da Quebrada, Thawan Lucas, Alan Rocha, Sacha Bali, Laila Garin, Silvio Guindane, Jeniffer Dias.
Distribuição: Sony Pictures.



