Yanuni

Título original: Yanuni

Direção: Richard Ladkani

Ano de lançamento: 2025

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

3

/5

O documentário Yanuni agora está disponível gratuitamente no YouTube, no canal de Leonardo DiCaprio. O filme pode ser acessado por públicos de diferentes partes do mundo, pois conta com legendas em inglês, alemão, francês, português, espanhol, catalão, italiano e tailandês.

Presente na lista de pré-candidatos ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Documentário, Yanuni é uma coprodução entre o Brasil e produtoras internacionais sob a assinatura de Leonardo DiCaprio e da Malaika Pictures. O longa dirigido por Richard Ladkani conquistou prêmios importantes em festivais de prestígio global, como o Jackson Wild Media Award e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

A obra se projeta como um manifesto relevante e esteticamente refinado, utilizando a força do audiovisual para universalizar uma denúncia contundente contra o avanço predatório do garimpo e da mineração ilegal na Amazônia.

No coração dessa narrativa que equilibra o íntimo e o épico está a trajetória de Juma Xipaia, a primeira mulher a se tornar cacica de seu povo no Médio Xingu e Secretária Nacional do Ministério dos Povos Indígenas. Ao lado de seu marido, o agente ambiental do Ibama Hugo Loss — que também enfrentou perseguições políticas em sua atuação —, Juma personifica a resistência na linha de frente contra corporações e invasores, carregando o peso de ter sobrevivido a seis tentativas de assassinato.

O filme caminha de forma sensível por essa dualidade, entrelaçando os perigos reais da militância institucional e de campo com as vulnerabilidades de sua iminente maternidade, oferecendo uma crônica comovente sobre o custo pessoal da defesa da Terra e a sabedoria dos povos originários.

Crítica do filme

O diretor e roteirista Richard Ladkani assina também a fotografia, que é o grande destaque formal de Yanuni. As tomadas na floresta são exuberantes e surpreendem até nós, brasileiros. As imagens do alto quase sempre incluem névoas sobre parte da vegetação e, mais próximo do solo, captam detalhes da fauna, criando ressonância com o discurso de Juma Xipaia, quando ressalta a importância para o planeta do ecossistema amazônico como um todo, e não só os povos originários.

O cenário urbano contrasta esse ambiente úmido com a secura de Brasília, sem deixar de fora o simbolismo da comunidade indígena com a população urbana, ou da terra rica em húmus com o concreto. Durante uma manifestação, a câmera está atenta aos detalhes dos pés descalços ou com sandálias se contrapondo com os coturnos da polícia. Na mesma toada, as névoas tranquilizantes da floresta são substituídas pelo gás lacrimogêneo. Esse tom de confronto violento se estende para as sequências com Hugo Loss, que atua sempre armado para desmantelar os barcos de draga no garimpo.

As manifestações se somam a outras forças mais poderosas e conseguem evitar que Jair Bolsonaro ganhe as eleições presidenciais. Lula reassume o governo e cria o Ministério dos Povos Indígenas em 2023, ato celebrado por Juma, nomeada Secretária Nacional de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas. Mas, o filme não se rende à polarização política. Os protestos dos indígenas aos 100 dias do governo de Lula também estão na obra, criticando a falta de ações concretas de demarcações de terras.

Narrativa

Juma é humanizada, revelando os seus dramas pessoais. Durante o seu mandato em Brasília, ela revela a falta que faz a sua tribo, para onde precisa voltar para se curar de suas angústias. A saudade que sente do marido também tem lugar no longa, assim como a sua gravidez e consequente nascimento de sua filha, que ganha o nome do pássaro Yanuni.

Em paralelo, o filme acompanha o trabalho de Hugo Gloss, e suas perigosas missões de desmantelar estações de garimpo ilegal. Nesse contexto, soa errada a escolha por acompanhar mais detalhadamente uma abordagem desastrosa de um pequeno barco de draga, enquanto uma tarefa maior e mais perigosa ganha poucos minutos de tela.

A narrativa, na verdade, falha na construção de dramaticidade. Trechos de noticiários nacionais e internacionais servem de muleta para acrescentar emoção aos relatos, mas a falta de naturalidade dos protagonistas deixa escapar um pouco de artificialidade na filmagem deste documentário. Além disso, ficam de fora eventos que produziriam tensão, como as diversas tentativas de assassinato que Juma sofreu, e que não são explicadas no filme.

A corajosa trajetória de Juma Xipaia fala por si. Mas, o documentário não consegue o impacto emocional que almeja ao tentar um retrato em primeira pessoa, com direito a narração da própria protagonista. Talvez uma abordagem mais objetiva fosse a melhor alternativa, visto que Juma não tem a desenvoltura para encenar ou para agir livremente enquanto é filmada. Ou, melhor ainda, que a direção ficasse a cargo de alguém mais próximo, um cineasta indígena que a deixasse mais confortável.

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Ficha técnica:

Yanuni | 2025 | 112 min. | Áustria, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Alemanha | Direção: Richard Ladkani | Roteiro: Richard Ladkani Wikipedia | Elenco: Juma Xipaia, Hugo Loss.

Assista gratuitamente no Youtube aqui.

Onde assistir:
Juma Xipaia em "Yanuni"

Outras críticas:

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