Paixão (Passion, 2012)

Avaliação:
9/10
9

Informações

Crítica

Paixão (Passion, 2012) 102 min. Dir/Rot: Brian De Palma. Com Rachel McAdams, Noomi Rapace, Karoline Herfurth, Paul Anderson, Dominic Raacke, Rainer Bock, Benjamin Sadler, Michael Rotschopf, Trystan Pütter, Melissa Holroyd, Ian T. Dickinson, Frank Witter.

Brian De Palma, o veterano mestre do thriller, retoma seu gênero após “Guerra Sem Cortes”, de 2007, nesta refilmagem do filme francês “Crime de Amor” (2010), de Alain Corneau.

Em “Paixão”, Christine Stanford (Rachel McAdams) é uma executiva de uma grande agência de publicidade que manipula as pessoas ao seu redor para ascender em sua carreira. Uma dessas exploradas é sua subordinada Isabelle James (Noomi Rapace), cuja brilhante ideia para uma nova campanha é apresentada por Christine como se fosse de sua autoria. Isabelle secretamente compartilha o amante (Paul Anderson) de Christine, e, sob influência dele, resolve lançar sua campanha diretamente na internet, sem consultar sua chefe e o vídeo se tornar viral.

Isabelle ganha reconhecimento de sua empresa, mas também a inveja de Christine, que se vinga com forte assédio moral. Humilhada publicamente, Isabelle se torna desequilibrada e passa a agir de forma estranha. Christine é assassinada e Isabelle é a principal suspeita do crime.

Quem conhece os trabalhos do diretor Brian de Palma, assiste ao filme esperando que logo surjam cenas de sangue e violência. Mas, isso só acontece após na segunda metade do filme. Até lá, somos apresentados aos personagens principais, principalmente às dúbias relações entre Christine, Isabelle e Dirk, o amante de ambas. Todos os três são misteriosos e sexualmente explosivos. Christine utiliza seu poder de sedução sobre Isabelle também, mas as cenas de lesbianismo são leves. Na verdade, leves demais, por culpa de Rachel McAdams. A atriz, famosa por filmes românticos, dramas e comédias, desperdiça aqui a chance de tornar Christine o papel que poderia virar a mesa de sua carreira, e talvez proporcionar prêmios como o Oscar. Afinal, a personagem quebra o estereótipo que foi construído em torno de sua imagem.

Cenas mais ousadas tornariam “Paixão” muito mais interessante, pois conduziriam o espectador para aquela linha tênue entre o normal e o bizarro, entre o sano e a loucura. Fossem os beijos de lábios entre Rachel McAdams e Noomi Rapace mais explícitos, a tensão do filme seria elevada. “Dublê de Corpo”, clássico de De Palma, criava esse clima desde os primeiros momentos. O visual chique e moderno, porém, dos dois filmes se assemelham.

“Paixão” melhora a partir da cena do assassinato. A tela dividida, marca registrada do diretor, surge nesse momento, mostrando uma encenação de um balé na parte esquerda da tela, e o crime no outro lado. Em seguida, a música de Pino Donaggio leva aos grandes momentos da carreira de De Palma. A máscara do assassino também remete a outro de seus clássicos, “Vestida para Matar”.

Noomi Rapace, esta sim, novamente explora bem seu visual estranho e, como na trilogia da personagem  Lisbeth Salander, dos livros de Stieg Larsson, a atriz sueca representa a figura enigmática que aparenta fragilidade e periculosidade ao mesmo tempo.

No final do filme, como em “Carrie, a Estranha”, Brian De Palma não desperdiça a oportunidade de pregar o último susto nos espectadores.

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