17º Festival de Cinema Francês do Brasil exibe 21 filmes com destaques de Cannes, Veneza e Locarno

Evento acontece de 29 de outubro a 11 de novembro, em mais de 50 cidades brasileiras, com produções inéditas, clássicos, encontros com artistas e atividades voltadas ao mercado audiovisual

O cinema francês volta a ocupar as salas brasileiras a partir de 29 de outubro, com o início do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil. Até 11 de novembro, o evento apresenta uma seleção de 21 títulos em cinemas de mais de 50 cidades, reunindo produções recentes que passaram por importantes festivais internacionais, filmes premiados e obras que conquistaram o público na França. A programação inclui ainda dois clássicos da cinematografia francesa, além de encontros com cineastas e atores, debates e iniciativas de formação profissional.

Consolidado como o principal evento brasileiro dedicado ao cinema francês, o festival já alcançou mais de 2,5 milhões de espectadores ao longo de sua trajetória. Nesta edição, a proposta é oferecer um panorama diversificado da produção contemporânea do país, contemplando gêneros como drama, comédia, suspense, documentário, animação e cinema histórico.

São Paulo e Rio de Janeiro também recebem uma delegação artística formada por sete profissionais, entre atores e diretores, que participam de sessões especiais e conversas com o público. A programação paralela inclui masterclasses, um laboratório de roteiros e encontros entre profissionais brasileiros e representantes da indústria audiovisual francesa.

Produções de destaque nos festivais internacionais

Entre os principais destaques está o díptico De Gaulle: A França Livre, de Antonin Baudry, produção histórica que aborda um momento decisivo da Segunda Guerra Mundial. Ambientado em junho de 1940, durante a ocupação nazista, o filme acompanha a decisão do general Charles de Gaulle de seguir para Londres, de onde passa a organizar a resistência francesa. Com Simon Abkarian, Simon Russell Beale e Florian Lesieur no elenco, além da participação de Benoît Magimel, a obra foi exibida fora de competição no Festival de Cannes e ultrapassou cinco milhões de espectadores na França. A distribuição no Brasil é da Synapse.

Para a curadora e diretora Emmanuelle Boudier, o filme ganha relevância ao abordar a luta pela liberdade diante da violência política, tema que permanece atual em diferentes partes do mundo. O também curador e diretor Christian Boudier destaca a importância de o cinema ampliar perspectivas e provocar reflexões sobre os desafios da vida, sobretudo em períodos de crise política e moral.

Outra produção que chega ao Brasil após passagem por Cannes é O Beijo Elétrico, de Pierre Salvadori, comédia romântica ambientada em Paris, em 1928. Na história, o pintor Antoine Balestro perde a inspiração após a morte da esposa e procura uma vidente para tentar entrar em contato com ela. O que começa como uma tentativa de superar o luto transforma-se em uma farsa envolvendo uma artista de circo. Estrelado por Pio Marmaï, Anaïs Demoustier e Gilles Lellouche, o longa abriu o festival francês em 2026 e já ultrapassou 600 mil espectadores em seu país de origem. A distribuição é da Bonfilm.

Também selecionado para Cannes, O Sentido da Vida, de Ryūsuke Hamaguchi, concorreu à Palma de Ouro e recebeu o prêmio duplo de interpretação feminina para Virginie Efira e Tao Okamoto. O drama acompanha Marie-Lou, responsável por uma instituição para idosos, que procura implementar um modelo de cuidado baseado na escuta e na dignidade dos residentes. O encontro com Mari, uma diretora de teatro japonesa que enfrenta um câncer, transforma a trajetória das duas mulheres. A Vitrine Filmes distribui o longa no Brasil.

Já A Ilustre Desconhecida, de Marc Fitoussi, reúne Isabelle Huppert e Sandrine Kiberlain em uma comédia sobre ambição e reconhecimento profissional. Huppert interpreta Corinne Maclou, figurante que participa de diferentes produções cinematográficas na esperança de conquistar um papel de destaque. Ao se aproximar de uma atriz famosa, ela acredita estar diante da oportunidade que sempre esperou. O filme abriu o Festival de Cinema Francófono de Angoulême e encerrou o Festival de Locarno, ambos em agosto de 2026.

A seleção inclui ainda Júpiter, thriller político de Alexandre Smia exibido fora de competição no Festival de Veneza. Protagonizado por Denis Ménochet, André Dussollier e Reda Kateb, o longa acompanha o presidente recém-eleito Paul Archambault diante de uma crise internacional com potencial para desencadear uma escalada nuclear. Parte significativa da trama se passa no Posto de Comando Júpiter, espaço real situado sob o Palácio do Eliseu, em Paris. Com distribuição da Califórnia Filmes, a produção chega ao público brasileiro antes de sua estreia comercial francesa, prevista para 18 de novembro.

Comédias, dramas sociais e histórias de transformação

As relações familiares e a possibilidade de recomeçar estão no centro de O Que é o Amor?, de Fabien Gorgeart. Na trama, Fred pede à ex-esposa Marguerite que anule o casamento religioso para que ele possa se casar novamente. O processo leva o antigo casal a viajar para Roma com os filhos e os respectivos novos parceiros, em uma experiência que coloca em questão os vínculos familiares. Estrelado por Laure Calamy e Vincent Macaigne, o filme venceu o Grande Prêmio do Festival Internacional de Cinema de Comédia de l’Alpe d’Huez de 2026, onde Calamy também recebeu um prêmio por sua atuação. A distribuição é da Fênix.

Outro título premiado em l’Alpe d’Huez é Bem-vindos à La Comédie-Française, de Martin Darondeau e Bertrand Usclat. A comédia acompanha Nina, uma diretora teatral que precisa lidar com atrasos, falhas técnicas e conflitos nos bastidores às vésperas de sua estreia em uma tradicional companhia francesa. A produção conquistou quatro prêmios no festival, incluindo o do Público e o Especial do Júri, e superou 900 mil espectadores na França. Pauline Clément protagoniza o longa e também está em Uma Menina de Ouro, de Jean-Luc Gaget, sobre uma mulher que passa a questionar seu próprio valor após conhecer um empresário autoritário.

Em Compostela, o Caminho da Terapia, de Yann Samuell, uma peregrinação a Santiago de Compostela aproxima Fred e Adam, um adolescente em crise. Durante a caminhada, os dois enfrentam conflitos, compartilham experiências e constroem uma relação de confiança. Estrelado por Alexandra Lamy, o filme ultrapassou 800 mil espectadores na França e tem distribuição da Pandora.

A busca por liberdade também move Minha Vida de Sereia, de Pauline Brunner e Marion Verlé. Na comédia dramática, uma sereia profissional aparece na região onde vive Fanny, uma mulher recém-divorciada. O encontro faz com que a protagonista reveja escolhas e enfrente desejos que havia deixado de lado.

Entre os dramas sociais, A Casa das Mulheres, de Mélisa Godet, retrata o trabalho de uma equipe dedicada ao acolhimento de mulheres vítimas de violência. O filme acompanha os esforços coletivos para oferecer apoio e criar condições para que essas mulheres reconstruam suas vidas. A produção, distribuída pela Bonfilm, já ultrapassou 500 mil espectadores na França.

A programação também apresenta A Busca de Charlie, primeiro longa-metragem de Avril Besson, selecionado para sessões especiais em Cannes e concorrente ao prêmio Caméra d’Or. Na história, Charlie parte em uma viagem levando discos de vinil de sua avó e encontra pessoas que a ajudam a lidar com o luto e a descobrir novas possibilidades. Já Sem Piedade, de Julien Hosmalin, acompanha dois irmãos que se reencontram duas décadas após um sequestro traumático. Depois da morte da mãe, o reconhecimento dos antigos sequestradores entre os amigos de um deles coloca os protagonistas diante de uma escolha entre vingança e perdão.

O documentário O Canto da Floresta, de Vincent Munier, acrescenta à seleção uma reflexão sobre a natureza e a preservação ambiental. Vencedor de dois prêmios César em 2026, nas categorias de Melhor Documentário e Melhor Som, o filme registra uma imersão nas florestas dos Vosges, região onde o diretor nasceu. Munier divide a experiência com o pai e o filho, em uma jornada que combina observação da vida selvagem e memória familiar. A produção já foi vista por mais de 1,3 milhão de espectadores na França.

Clássicos e referências culturais francesas

A programação reserva espaço para dois marcos da história do cinema francês. A Grande Escapada, de Gérard Oury, completa 60 anos e retorna às telas com sua mistura de humor e aventura. Lançada em 1966, a comédia acompanha dois civis franceses que ajudam pilotos britânicos a escapar da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Estrelado por Bourvil, Louis de Funès e Claudio Brook, o filme atraiu mais de 17 milhões de espectadores na França e soma mais de 60 milhões em todo o mundo.

O outro clássico é a animação O Rei e o Pássaro, de Paul Grimault, desenvolvida a partir de 1946 em parceria com o poeta Jacques Prévert e inspirada no conto A Pastora e o Limpador de Chaminés, de Hans Christian Andersen. Com humor, poesia e reflexões filosóficas, a obra completa 80 anos de sua concepção e já foi vista por mais de 2,3 milhões de pessoas nos cinemas. O filme também integra a programação educativa do festival, com sessões destinadas a estudantes da rede pública.

A relação entre cinema, teatro e literatura aparece em outros títulos. Victor, como Hugo, de Pascal Bonitzer, acompanha Robert Zucchini, um ator que lota teatros com suas interpretações inspiradas no escritor Victor Hugo, mas precisa rever suas prioridades quando a filha, que não viu crescer, reaparece em sua vida.

Em Molière, Cyrano e o Pequeno Rei, de Michel Leclerc, o jovem Luís XIV se refugia em uma companhia teatral para escapar de uma ameaça à monarquia. Protegido por D’Artagnan e Cyrano de Bergerac, o futuro rei descobre um universo marcado pela arte e pela liberdade. Já O Fantasma da Ópera, de Alexandre Castagnetti, transporta o público para os recantos do Palais Garnier, em uma história de mistério e romance que acompanha uma bailarina envolvida com um pianista enigmático e uma ópera cercada por acontecimentos inexplicáveis.

A seleção contempla ainda o curta-metragem Duas Pessoas Trocando Saliva, de Natalie Musteata e Alexandre Singh, vencedor do Oscar de 2026 na categoria de Melhor Curta-Metragem em Live Action. Ambientada em uma sociedade repressiva, a obra acompanha duas mulheres que se aproximam em um contexto no qual o beijo é proibido e punido com a morte.

Artistas convidados e atividades profissionais

A delegação presente em São Paulo e no Rio de Janeiro reúne Alexandra Lamy, Pauline Clément, Laure Calamy, Benoît Magimel e os diretores Fabien Gorgeart, Marc Fitoussi e Pierre Salvadori. Além das sessões com debates, Fitoussi e Salvadori participam de uma masterclass gratuita na FAAP, em São Paulo, no dia 26 de outubro.

A presença dos convidados permite aproximar o público dos processos criativos por trás dos filmes. Lamy apresenta Compostela, o Caminho da Terapia, enquanto Clément participa de dois títulos da programação. Calamy acompanha a exibição de O Que é o Amor?, e Magimel integra a apresentação de De Gaulle: A França Livre, no qual interpreta o general Pierre Kœnig. Confira aqui a programação das sessões com a delegação.

O festival também investe na formação de profissionais com a nona edição do LAB Franco-Brasileiro de Roteiros, coordenado por François Sauvagnargues. Entre 26 e 30 de outubro, 15 roteiristas selecionados de diferentes estados brasileiros participam, no Rio de Janeiro, de atividades sobre projetos de séries e longas-metragens. A iniciativa é realizada em parceria com o Conservatório Europeu de Escrita Audiovisual e o Projeto Paradiso.

Outra atividade reúne profissionais brasileiros e Olivier Père, diretor-geral da ARTE France Cinéma, para discutir o desenvolvimento de projetos audiovisuais e as possibilidades de coprodução internacional. A iniciativa reforça a dimensão profissional do evento, que vai além da exibição de filmes e busca ampliar o intercâmbio entre as indústrias cinematográficas dos dois países.

Com produções de diferentes gêneros, obras premiadas e clássicos restaurados ao repertório das salas, o 17º Festival de Cinema Francês do Brasil aposta na diversidade para apresentar ao público brasileiro diferentes perspectivas da cultura francesa. A programação acontece de 29 de outubro a 11 de novembro, em mais de 50 cidades, reunindo cinema, formação e encontros que fortalecem as relações audiovisuais entre Brasil e França.

Saiba mais em: https://festivalcinefrances.com.br/2026/

fonte: divulgação

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