Desde o dia 3 de outubro, quando aconteceu a coletiva de imprensa da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, jornalistas e críticos puderam assistir a parte dos filmes selecionados para essa edição comemorativa.
Assim, apresento aqui os filmes que eu pude assistir, com um breve comentário e uma cotação (notas de 0 a 5). Sobre alguns deles, escrevi um texto crítico, cujos links estão aqui apontados.
Esta é uma página dinâmica, que será atualizada conforme os filmes que eu assistir na Mostra.
Lista dos filmes vistos (em ordem alfabética)
A Ginasta (The Gymnast), de Charlotte Glynn. Ótimas atuações que valorizam os personagens não estereotipados e uma reconstituição de época na medida que não chama a atenção para a nostalgia. Um melodrama B de respeito. Nota: 3,5.
A História do Concreto (The History of Concrete), de John Wilson. O diretor repete o que fazia em sua série: longe de apresentar a história do concreto, seu objetivo é exteriorizar seu olhar crítico sobre o cotidiano. Leia a crítica. Nota: 3,5.
Camuflagem (Camouflage), de Mykyta Gibalenko. Revela a situação distinta de um imigrante ucraniano (que sai do país antes dos ataques russos) e seus familiares exilados. As transições bem pensadas que o filme apresenta não são suficientes para contornar a sensação de que os conflitos poderiam ser resolvidos com uma simples conversa. Nota; 2,5.
Lua Cheia (Full Moon), de Jeong Ji-hye. Sua proposta naturalista e sem truques apelativos eventualmente emociona, como na cena da dança, mas o que vem a seguir parece não fazer mais a narrativa se mover. Leia a crítica. Nota: 3.
O Homem Mais Solitário da Cidade (The Loneliest Man in Town), de Tizza Covi e Rainer Frimmel. É ficção, mas tem um certo estilo documental. O protagonista, um resistente solitário às mudanças da vida é um achado. Nota 3,5.
O Outro Lado das Redes (The Social Reckoning), de Aaron Sorkin. Apropriadamente muito mais crítico que o filme de David Fincher, pois Zuckerberg e seu Facebook se tornaram muito mais perigosos. Leia a crítica. Nota: 4.
O Retornado (El Regresado), de Armando Capó. Em 2001, um jovem artista cubano retorna à sua cidade natal e enfrenta a censura criativa do governo. Faltou carisma aos personagens, mas prende a atenção o suficiente. Nota: 3.
O Samurai e o Prisioneiro (Kokurojo), de Kiyoshi Kurosawa. O primeiro jidai geki do diretor se passa majoritariamente em pequenos ambientes, ao contrário dos épicos clássicos japoneses. A trama complexa gira em torno de um mistério, mas o mais importante na narrativa são as estratégias de guerra. Um dos personagens mais ricos lembra o manipulador de mentes de A Cura (1997). Nota: 4.
Onde Repousar Meus Olhos (Nun Dul Dega Eomne / Nowhere to Lay my Eyes), de Hong Sang-soo. Mantém o padrão, inclusive de qualidade, da obra do diretor. Como de costume, trata de relacionamentos familiares, escalando atores recorrentes em longas conversas, principalmente durante as refeições. Leia a crítica. Nota: 3,5.
Silvestre (1981), de João César Monteiro. O filme recorre a ideias deliciosamente inventivas para contar uma saga histórica cheia de reviravoltas. Uma das obras primas da mostra em homenagem ao produtor Paulo Branco. Nota: 5.
Tigre de Papel (Paper Tiger), de James Gray. O diertor atinge a sua excelência neste filme que agrega elementos marcantes de seu cinema autoral: a família como centro da trama, Nova York, ambientação de época, máfia russa, melodrama e excelentes atuações. Leia a crítica. Nota: 5.
Um Pouco de Esperança (Kami Nour / A Bit of Light), de Ali Asgari. O uso narrativo da elipse, do espaço fora do quadro, eleva a qualidade deste filme menos inspirado do diretor. Leia a crítica. Nota: 3,5.
Variações sobre um Tema (Variasies op’n Tema), de Jason Jacobs e Devon Delmar. Adotando uma narrativa em espiral, o filme sempre volta às mesmas situações, com os mesmos personagens de uma comunidade pobre sul-africana, nos mesmos lugares. A câmera permanece fixa, capturando o que está à sua frente, como em um documentário filmado às escondidas. Só não se configura assim porque as pessoas estão próximas demais da lente. Leia a crítica. Nota: 3.
Você Não Vai Acreditar Quem Morreu (You’ll Never Believe Who’s Dead), de Dallan Shovlin. Produção irlandesa que busca o humor das comédias frenética, mas que nunca alcança a voltagem necessária para ser engraçada. Nota: 2.