A Sony Pictures promoveu ontem, dia 9 de setembro, uma sessão para convidados de uma prévia do novo filme Resident Evil, no Cine Marquise em São Paulo. O longa estreia nos cinemas em 17 de setembro com o nome da franquia como título.
A seleta plateia pôde conferir cerca de 15 minutos do filme. No trecho apresentado, não há créditos iniciais, e nem uma apresentação formal do protagonista Bryan, vivido por Austin Abrams. Provavelmente, o filme também seja assim, pois condiz com o ritmo alucinante que logo envolve o espectador.
Não é preciso dizer muito sobre o personagem principal. A sua profissão já é distinta o suficiente para despertar total atenção. Afinal, ele é um entregador de órgãos humanos para transplante. Ou seja, viver numa correria frenética faz parte de sua rotina. Especialmente, porque Bryan se mostra uma pessoa muito zelosa. Ele sabe da importância de entregar a sua encomenda o mais rápido possível, pois cada minuto pode ser crucial para salvar uma vida. Além disso, ele precisa de dinheiro.
Apesar das boas intenções, Bryan é muito atrapalhado – e azarado também. Após fazer sua última entrega do dia, ele aceita um novo serviço urgente que aparece quando ele já estava de saída. O local da entrega não passa desapercebido por nenhum fã da franquia de filmes ou do game que lhe deu origem: Raccoon City!
Franquia sob nova direção
Este novo filme tem direção de Zach Cregger, um ator que ganhou prestígio instantâneo quando decidiu dirigir filmes de terror. Sua estreia em longas no gênero foi no ótimo Noites Brutais (Barbarian, 2022), e depois ele lançou o ainda melhor A Hora do Mal (Weapons, 2025).
Cregger tem tudo para ser o melhor diretor da franquia. O que não representa muito, pois a maioria desses filmes teve à frente o fraco Paul W. S. Anderson (cujos trabalhos mais razoáveis provavelmente foram nessa série de longas). Russell Mulcahy dirigiu o terceiro, mas esse diretor australiano só se destacou em seus primeiros filmes – Razorback (1984) e Highlander (1986)
Pois Cregger faz jus ao seu prestígio no trecho apresentado na prévia. Na sequência do hospital, usa planos longos que percorrem as alas junto com o protagonista, desesperado para entregar rapidamente a sua encomenda. O trecho da burocracia para conseguir a assinatura no recibo indica as suas boas intenções, mas que são postas à prova pelas dificuldades que ele acaba enfrentando.
Quando ele dirige o seu carro em direção a Raccoon City, por uma estrada escorregadia e castigada pela neve, o visual é belo e sinistro ao mesmo tempo. Os faróis do carro iluminam o que está à frente, mas atrás do carro é um breu absoluto. Envolvido numa discussão ao telefone com a namorada grávida, ele vai se deparar com a primeira criatura zumbi. Começa assim a escalada de terror, que vai de evento a evento rapidamente, num mergulho abismal em que cada movimento coloca Bryan numa situação pior. Até pela semelhança física de Austin Abrams com Griffin Dunne, parece que estamos diante de um Depois de Horas (After Hours 1985) do horror.
Longe do game
Existe um burburinho dos fãs do game reclamando que esta versão se afasta demais dos jogos. Provavelmente isso realmente aconteça, mas nesta crítica me concentro no cinema. E, nesse aspecto, essa prévia do Resident Evil de Zach Cregger deixou ótimas expectativas.