A Cor que Caiu do Espaço merece entrar na lista de melhores filmes autenticamente lovecraftianos, sejam aqueles adaptados de sua obra, como A Hora dos Mortos-Vivos (Re-Animator, 1985) e Do Além (From Beyond, 1986), ambos de Stuart Gordon, ou aqueles inspirados nela, como O Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982), de John Carpenter.
Dirigido por Richard Stanley, do longa cyberpunk Hardware (1990), A Cor que Caiu do Espaço revela lentamente os efeitos que um pequeno meteoro provoca em uma fazenda no interior dos Estados Unidos. Nesse local, moram Nathan Gardner (Nicolas Cage), sua esposa Theresa (Joely Richardson), e seus filhos Lavinia (Madeleine Arthur), Benny (Brendan Meyer) e Jack (Julian Hilliard). Depois que uma pedra cai do céu, fenômenos estranhos começam a acontecer. O cão de estimação desaparece, a água ganha uma coloração violeta, a colheita cresce rapidamente mas com um gosto esquisito etc.
O filme adota um ritmo de slow burn. Nada muito grave acontece nos dois primeiros terços, apenas indícios de eventos estranhos. No final desta fase, Nathan demonstra uma perturbação mental, adotando atitudes agressivas. Além disso, seu antebraço fica com uma aparência doentia. O terror chega em conta-gotas. Um estranho inseto aparece, sons e vozes chamam os personagens, um transe acarreta em dedos decepados.
No terço final, o filme acelera os acontecimentos. O horror cósmico de H.P. Lovecraft se concretiza com uma força arrebatadora. Corpos se misturam e formam criaturas medonhas, uma delas mantendo um desesperador resquício de humanidade que lhe confere uma dramaticidade dolorosa. A produção acerta ao utilizar efeitos práticos, com próteses, maquiagens e animatrônicos, lembrando as obras dos anos 1980 citadas acima. O impacto é aterrorizante e faz o espectador torcer para que o filme passe logo, o que deixa essa parte final com a sensação de não acabar nunca.
Final perturbador
Após um desfecho apoteótico, entra uma sequência sem cores, que se contrapõe ao terror conectado à tal cor magenta (opção adotada no filme para a cor indescritível no conto de Lovecraft). O narrador, Ward Phillips (Elliot Knight), um forasteiro que está ali para estudar a construção de um novo reservatório para uma hidrelétrica, faz a transição para o mundo normal, que na verdade prefere esconder os fenômenos que aconteceram ali.
Nicolas Cage, desta vez, pode abusar do histriônico em A Cor que Caiu do Espaço, sem parecer exagerado, pois faz parte do estado de perturbação de seu personagem na parte final do filme. Em um trecho específico, a perspectiva em primeira pessoa do narrador Ward justifica o que enlouqueceu Nathan. O protagonista não suporta essa experiência cósmica que o diretor Richard Stanley chega muito perto de transmitir ao público. Vale a pena suportar o desenrolar extremamente lento para vivenciar a perturbação das sequências finais.
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Ficha técnica:
A Cor que Caiu do Espaço | Color Out of Space | 2019 | 111 min. | Estados Unidos, Portugal, Malásia | Direção: Richard Stanley | Roteiro: Richard Stanley, Scarlett Amaris | Elenco: Nicolas Cage, Joely Richardson, Madeleine Arthur, Elliot Knight, Brendan Meyer, Julian Hilliard, Tommy Chong, Q’orianka Kilcher, Josh C. Waller.







