O diretor de A História do Concreto é o criador da série documental How to with John Wilson (2020–2023), disponível na HBO Max. Seu longa-metragem, selecionado para a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, segue o modelo de seu seriado. Ou seja, o próprio John Wilson faz a narração, trazendo observações inteligentes sobre algum tema específico — neste caso, o uso do concreto. Sua voz em off acompanha imagens do cotidiano que ele capta em vídeo, levantando, assim, questionamentos que escancaram o absurdo em situações que as pessoas envolvidas não enxergam por não pararem para refletir sobre elas. Suas observações bem-humoradas envolvem o espectador, que embarca facilmente em seu ponto de vista crítico.
Os episódios de sua série mais conhecida duram menos de trinta minutos. Ao transitar para um longa-metragem de 101 minutos, John Wilson não se concentra apenas no tema principal, o concreto. Na abertura, ele se apresenta e explica sua situação atual de trabalho. Tira sarro de si mesmo, introduzindo o tom de sátira que dominará o restante do documentário. Nesse processo, confessa que frequentou um curso sobre como fazer filmes no estilo Hallmark (aqueles filmes para televisão insossos que possuem uma considerável audiência fiel). Mas, evidentemente, não é esse o tipo de projeto que ele deseja realizar.
A busca pelo absurdo: das convenções ao rockumentary
Até chegar ao concreto, John Wilson passa por outros temas, sempre procurando o absurdo em cada um deles. Começa com um serviço de preservação de peles tatuadas de familiares (ou celebridades) mortas. E, de ideia em ideia, chega ao concreto, direta ou indiretamente.
Como um observador externo, não absorvido pela empolgação de uma coletividade, ele revela como as pessoas dão importância exagerada a certas coisas. Por exemplo, um grupo religioso que promove uma maratona que dura semanas de corrida em volta de um só quarteirão. Ou a exaltação, com intenções turísticas, de marcos insignificantes como “a rua de concreto mais antiga da América” ou “a rua mais curta”, ambas na mesma cidade de Bellefontaine, no estado de Ohio.
Uma coisa leva a outra, e o que mais diretamente toca o tema central é a convenção “World of Concrete”, em Las Vegas. Nesse evento, reúnem-se empresas e trabalhadores do setor, e os interessados conhecem novos equipamentos e tecnologias. Mas também ocorrem ali situações espalhafatosas, como competições de levantamento de paredes de tijolos.
Na parte final, John Wilson volta a falar de si mesmo, especificamente sobre sua necessidade de financiamento para este documentário. Então, faz uma engraçada conexão com a palavra pedra (rock) para vender seu projeto como um rockumentary — um documentário sobre rock. Sem nenhuma condição de atrair uma estrela famosa, escolhe Jack Macco, vocalista e guitarrista de uma desconhecida banda chamada Nebulus, como o atrativo de investimentos. A parte final se concentra na vida desse músico, que curiosamente também tem conexões interessantes, mas aí o filme se distancia totalmente do tema central. No fundo, John Wilson repete o que fazia em sua série: longe de apresentar a história do concreto, seu objetivo é exteriorizar seu olhar crítico sobre o cotidiano.
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Ficha técnica:
A História do Concreto | The History of Concrete | 2026 | EUA | 101 min. | Direção: John Wilson.



