A Noiva!

Título original: The Bride!

Direção: Maggie Gyllenhaal

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 05/03/2026

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 5/10

Maggie Gyllenhaal estreou na direção de longas com A Filha Perdida (2021), filme superestimado pela crítica (como escreveu Sérgio Alpendre para este veículo) e que foi indicado a três Oscars: roteiro adaptado (pela própria diretora), atriz (Olivia Colman) e atriz coadjuvante (Jessie Buckley). É esta última quem protagoniza seu segundo longa, A Noiva!, que também conta com roteiro escrito por Gyllenhaal, a partir dos personagens criados por Mary Shelley em “Frankenstein” (1818).

É uma produção caprichada, ambientada na Chicago de 1936 com uma bela reconstituição de época e fotografia estilizada (de Lawrence Sher) que alterna o preto e branco (nas intervenções da própria Mary Shelley, interpretada por Jessie Buckley). E ambiciosa, porque Maggie Gyllenhaal rompe barreiras nas falas dos personagens e na mistura de gêneros. Mas sua ousadia parece forçada, planejada para causar impacto imediato e gerar reações nas redes sociais.

Por um lado, Gyllenhaal parece mirar o público intelectual, com as pesadas falas em teor literário que se justificam quando partem da escritora Mary Shelley, em seus vários monólogos (exageradamente estilizados e berrados), mas que soam deslocados quando ditos pela prostituta Ida. Essas duas personagens são interpretadas por Jessie Buckley, porém elas não precisavam se confundir desta forma, já que Ida é uma personagem do livro, e o alter-ego da autora. Em certa altura da história, Ida chega a pedir para Mary parar com o que está fazendo com ela.

Trocadilhos e outras brincadeirinhas

Em contraste com essa intelectualização, o filme está repleto de trocadilhos tolos. Por exemplo, que brincam com o nome do Frankenstein, abreviadamente Frank, para usar o termo “francamente”. Além disso, Gyllenhaal acha divertido misturar os prenomes dos atores com os dos personagens. Nesse sentido, estão Penelope (por conta de Penélope Cruz), Jake (Jake Gyllenhaal, irmão de Maggie), Annette (Annette Bening), e assim por diante. Sem contar que, na mesma cena, estão Ida e o chefão da máfia chamado Lupino – a pioneira cineasta merece homenagens, mas não precisava vir dessa maneira nada sutil.

A trama coloca um sensível Frankenstein (Christian Bale, ótimo nesse papel) pedindo à cientista Dra. Euphronious (Annette Bening) que crie uma companheira para ele. Um pouco antes, a garota de programa Ida é assassinada pela máfia porque sabia demais, e é o corpo dela que a cientista ressuscita. Sem memória, ela ganha o nome de Penelope, e se torna a Noiva – sem o complemento “de Frankenstein”, porque o filme levanta a bandeira do empoderamento feminino através dessa personagem.

Aliás, é justamente por intervir brutalmente contra os agressores que tentam estuprar Penelope que Frankenstein e sua noiva precisam fugir da polícia. Mais adiante, ele matará um policial que tenta abusar da sua noiva. Quando o casal fica famoso, por serem criminosos procurados, Penelope recupera parte de sua memória e passa a lutar pela justiça das muitas mulheres que foram silenciadas pelo mafioso Lupino.

Em busca da lacração

Além dessa bandeira contra o feminicídio, outros momentos que visam a lacração desviam os rumos do filme. Entre eles, uma sequência de dança do casal central com sua coreografia monstruosa, truque que gerou repercussão recentemente na série Wandinha (Wednesday, 2022) e no filme Pobres Criaturas (Poor Things, 2023) – mas que o próprio Frankenstein já havia protagonizado antes em O Jovem Frankenstein (Young Frankenstein, 1974), de Mel Brooks. O cheiro de pastiche se acentua na aproximação da fuga do casal de bandidos famosos deste filme com Bonnie e Clyde (1967), até mesmo no detalhe da rajada de balas acertando o corpo em câmera lenta.

Como o próprio monstro da sua história, A Noiva parece ser feita de partes. Mas, que não funcionam em sintonia. Começa com um ousado jogo de metalinguagem entre autor e criação, que se misturam e produzem o comportamento absurdamente escandaloso de Ida no restaurante. Ao longo do filme, as intervenções de Mary Shelley mantêm esse artificialismo, encerrando muitas delas com gargalhadas maquiavélicas. Entre a erudição e trocadilhos tolos, a metalinguagem e personagens superficiais (o policial e a detetive) ou inconsistentes (a própria noiva e a cientista), flertes com o musical e violência gráfica, a ousadia e a cópia, fica difícil para o espectador entender que tipo de filme ele está assistindo.

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Ficha técnica:

A Noiva! | The Bride! | 2026 | EUA | Direção: Maggie Gyllenhaal | Roteiro: Maggie Gyllenhaal | Elenco: Jessie Buckley, Jake Gyllenhaal, Christian Bale, Peter Sarsgaard, Penélope Cruz, Julianne Hough, John Magaro, Annette Bening.

Distribuição: Warner Bros. Pictures.

Trailer:

Onde assistir:
Christian Bale e Jessie Buckley em "A Noiva!" (divulgação/Warner Bros.)

Outras críticas:

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