Alguém Me Vigia

Título original: Someone's Watching Me!

Direção: John Carpenter

Ano de lançamento: 1978

Data de estreia no Brasil: 29/11/1978

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

4

/5

Alguém Me Vigia comprova que existem bons filmes feitos para a televisão, principalmente quando dirigidos por cineastas de talento como John Carpenter, então com prestígio em alta por conta de Assalto à 13ª DP (1976).

Lauren Hutton interpreta Leigh Michaels, uma profissional do audiovisual de 29 anos que se muda de Nova York para Los Angeles depois de uma desilusão amorosa. Ela se instala num apartamento no moderno edifício chamado Arkham Towers (o nome, fictício, é uma homenagem de Carpenter a H.P. Lovecraft), alto e com grandes janelas como a torre em frente. É de lá que o filme mostra, em visão subjetiva, alguém espiando Leigh. Dá para ver que o telescópio vaga por várias janelas até se interessar pela protagonista.

Na manhã seguinte, quando Leigh dirige até uma emissora de TV onde ela começa a trabalhar, um carro a persegue. O filme mostra, de longe, o rosto do motorista, detalhe providencial para afastar suspeitas que atrapalhariam a experiência do espectador ao longo do filme. Afinal, Carpenter mira o suspense hitchcockiano – Janela Indiscreta (1954), evidentemente, é a maior inspiração – e não o mistério do whodunit.

Suspense hitchcockiano

E o filme entrega suspense de primeira qualidade. Na cena em que Leigh retorna do trabalho para seu apartamento e encontra a porta destrancada, a tensão pelo receio de encontrar alguém lá dentro é sufocante. Um sentimento que se mostra justificado, porque a cena se encerra com um calafrio por causa de um vulto que passa por trás da protagonista. Outra cena similar, mas com um suspense ainda mais intenso, é aquela em que Leigh toma coragem de perseguir o stalker e adentra a lavanderia vazia do prédio. A tradicional situação da vítima que se esconde no armário aqui ganha uma variação na grade do bueiro no chão.

O uso de objetos como fonte do perigo chama a atenção neste filme. O telefone assume essa função reiteradamente, porque o perseguidor faz várias chamadas sinistras para assustar Leigh com detalhes que indicam que ele sabe tudo sobre a vida dela. A paranoia da vigilância constante – como mostrado em A Conversação (1974), de Francis Ford Coppola – reaparece aqui, como sintoma pós-Watergate dos anos 1970. E, no melhor estilo hitchcockiano, a câmera insiste em filmar uma caixa misteriosa que a personagem recebe de presente de uma agência de viagem, criando um forte suspense sobre o seu conteúdo.

Coadjuvantes essenciais

Nesta cativante história, Leigh faz duas amizades. Uma delas é um novo relacionamento amoroso. Mulher descolada e autossuficiente, a personagem representa o empoderamento feminino dos anos 1970. Por isso, é ela quem dá em cima de Paul (papel de David Birney) num bar, um professor de filosofia que certamente ganha menos do que ela, que acaba de assumir o cargo de diretora de uma emissora de TV. É nesse novo trabalho que ela fica amiga de Sophie (vivida por Adrienne Barbeau, que viria a se casar com John Carpenter em 1979). Confiável e disposta a ajudar nas investigações de Leigh, essa coadjuvante se assemelha ao papel interpretado por Thelma Ritter em Janela Indiscreta. Um dos clímaces do suspense em Alguém Me Vigia coloca Sophie numa situação de perigo muito semelhante ao filme de Hitchcock. Assim como o final que encerra de imediato o enredo, sem se alongar desnecessariamente.

Alguém Me Vigia tem os fade-outs que sinalizam os momentos de corte para os comerciais nas exibições na televisão. Mas, fora isso, não há nada que o diferencie de um filme feito para o cinema, inclusive em sua qualidade.

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Ficha técnica:

Alguém me Vigia | Someone’s Watching Me! | 1978 | 97 min. | Estados Unidos | Direção: John Carpenter | Roteiro: John Carpenter | Elenco: Lauren Hutton, David Birney, Adrienne Barbeau, Charles Cyphers.

Lauren Hutton em "Alguém Me Vigia"

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