Um dos mais prolíficos cineastas brasileiros, José Eduardo Belmonte participou da 49ª Mostra de São Paulo com três filmes, feito inusitado não se tratando de uma homenagem. Entre eles estava Assalto à Brasileira, que estreia dia 5 de novembro de 2026 nos cinemas. De longe, o melhor dos três — Uma Família Feliz e Quase Deserto não me agradaram.
Assalto à Brasileira leva para as telas o assalto a uma agência do Banestado em Londrina, que aconteceu em 10 de dezembro de 1987. O filme explora a característica inusitada da operação, realizada em um banco lotado por assaltantes despreparados e sem muito planejamento. Um deles, Moreno (Christian Malheiros), desponta como líder informal, mas os outros cinco integrantes do bando são também personagens bem definidos em seus papéis coadjuvantes.
O protagonista de fato é Paulo, um jornalista policial experiente que repentinamente perde o emprego pelo motivo de não ter mais paixão pela sua profissão. Murilo Benício interpreta esse personagem com traços marcantes, da vestimenta maltrapilha ao jeito confiante de quem não teme ninguém. Ele tem o azar de escolher a agência do assalto para sacar a sua rescisão, mas, esperto, toma um papel ativo para poder usar a experiência em prol de uma matéria jornalística capaz de lhe garantir um retorno triunfante ao seu trabalho.
Assim, diante da inexperiência dos assaltantes, ele se voluntaria para ser o elo entre a quadrilha e a polícia. Afinal, ele sempre transitou nesse meio atrás de suas reportagens e até conhece o Comandante Fonseca (Paulo Miklos), responsável por essa operação. O assalto toma rumos inesperados. Os assaltantes parecem cada vez menos perigosos para os reféns, que passam a torcer para que o roubo dê certo, mesmo sentimento que desperta na multidão que se aglomera na frente do banco. O filme aponta a crise econômica da época, durante o governo de redemocratização do presidente José Sarney, como o motivo para a insatisfação da população, que via nesse roubo um ato de rebeldia contra os gananciosos bancos.
Direção
O diretor José Eduardo Belmonte acerta no difícil tom dessa história, que possui muitos momentos cômicos, mas estes não podem soar absurdos, pois devem retratar o que realmente aconteceu. Por outro lado, o filme não esquece que se trata de um crime, com risco de tudo acabar em uma violência desenfreada — seja por parte dos bandidos ou da polícia. Para manter isso, Belmonte usa uma trilha musical pulsante e um ritmo acelerado. O elenco realiza um trabalho fundamental para essa dupla sensação, principalmente Murilo Benício e Christian Malheiros, que conseguem transitar entre o nervoso e o relaxado.
Assalto à Brasileira coloca Belmonte novamente dentro do gênero policial, mas pela primeira vez dentro do filme de assalto, o heist movie. É um dos melhores longas de sua carreira até 2025.
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Ficha técnica:
Assalto à Brasileira | 2026 | 98 min. | Brasil | Direção: José Eduardo Belmonte | Roteiro: L.G. Bayão | Elenco: Murilo Benício, Christian Malheiros, Robson Nunes, Paulo Miklos, Fernanda de Freitas, Yohama Eshima, Augusto Madeira, Luiz Thunderbird.
Distribuição: Galeria Distribuidora.



