A história criada por Larry Cohen (1936–2019) rendeu o bom filme Celular: Um Grito de Socorro, que David R. Ellis (1952–2013) dirigiu a partir do roteiro de Chris Morgan. Esse longa faz parte do promissor início de carreira de Ellis, um dublê que virou cineasta e despontou dirigindo Premonição 2 (2003) e Serpentes a Bordo (2006).
A direção em Celular: Um Grito de Socorro supera o mero trabalho competente. A abertura traz um maneirismo que ajuda a narrativa: a câmera móvel se desloca da calçada, aproxima-se da casa e entra pelo buraco do olho mágico da porta para, então, mostrar a intimidade da protagonista Jessica Martin. Logo em seguida, bandidos invadem a residência, matam a empregada e sequestram a dona. Eles querem algo que o marido dela tem, mas ela não sabe do que se trata.
No cativeiro, Jessica, uma professora de ciências, consegue reconstruir parcialmente um telefone fixo estraçalhado por um dos criminosos. Dessa forma, ela consegue fazer ligações externas, mas para números aleatórios. Em uma das tentativas, convence o jovem Ryan a ajudá-la. Como ele não consegue a intervenção da polícia, precisa ele mesmo entrar em ação.
Trama inteligente, elenco estelar e ação autêntica
A trama surpreende positivamente por ser inteligente e muito coerente. Faz sentido que os bandidos queiram tanto o material que o marido de Jessica possui. Além disso, o enredo levanta uma instigante dúvida se Ryan está, de fato, ajudando as pessoas certas.
Fazendo jus à carreira de dublê de David R. Ellis, as cenas de ação — principalmente as perseguições de carro — exalam autenticidade. São muito bem coreografadas e filmadas com veículos em manobras arriscadas em locações reais, no melhor estilo clássico do gênero.
A seleção de elenco acerta em suas apostas. Kim Basinger se encaixa perfeitamente na personagem típica de classe média alta que não mede esforços para usar sua astúcia e seus limites físicos para salvar a família. Como principal vilão, o filme traz Jason Statham em sua transição do cinema britânico para o americano, desta vez usando o seu porte robusto para construir uma figura ameaçadora. Como seu contraponto, entra a característica de homem comum de William H. Macy, adequadamente escolhido para o papel do policial à beira da aposentadoria que ainda precisa entrar em uma investigação.
O maior destaque, porém, vai para Chris Evans, uma aposta arriscada em um jovem ator que encarna com habilidade as muitas cenas de ação do longa. Posteriormente, essa capacidade seria vastamente explorada ao interpretar o super-herói Capitão América. De quebra, o elenco ainda conta com participações especiais de Rick Hoffman (antecipando seu papel de advogado irritante na série Suits), Jessica Biel (musa do cinema que se casou com Justin Timberlake) e Lin Shaye (a Elise Rainier da franquia Sobrenatural).
Apesar de, em alguns momentos, deixar a suspeita de que está apresentando as múltiplas funcionalidades de um telefone celular, este é um filme de ação que consegue manter a empolgação do público do início ao fim.
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Ficha técnica:
Celular: Um Grito de Socorro | Cellular | 2004 | 94 min. | Estados Unidos / Alemanha | Direção: David R. Ellis | Roteiro: Chris Morgan | Elenco: Kim Basinger, Chris Evans, Jason Statham, William H. Macy, Jessica Biel, Eric Christian Olsen, Noah Emmerich, Rick Hoffman, Lin Shaye, Valerie Cruz.
Distribuição: PlayArte Pictures.



