Corrida dos Bichos

Título original: Corrida dos Bichos

Direção: Fernando Meirelles, Rodrigo Pesavento, Ernesto Solis

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 07/08/2026

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

2

/5

Corrida dos Bichos é um filme brasileiro produzido pela O2 Filmes e lançado pela Amazon Prime Video. O elenco está repleto de atores conhecidos e a direção tem a assinatura de Fernando Meirelles, Rodrigo Pesavento e Ernesto Solis – estes dois últimos estreando em longa de ficção.

A trama se passa num Rio de Janeiro do futuro, 45 anos após uma grande catástrofe (literalmente o nome nada criativo desse evento no filme). Repetindo filmes sobre distopia, há aqui uma tentativa de apresentar uma paisagem icônica destruída. No caso, a capital fluminense sem suas belas praias, pois o mar virou deserto.

O enredo lembra muito o filme O Sobrevivente (The Running Man, 1987), livro de Stephen King que Paul Michael Glaser adaptou para o cinema. Consequentemente, se aproxima também da versão mais recente, lançada em 2025, e dirigida por Edgar Wright. A fim de parecer ser um material original, Corrida dos Bichos tropicaliza o programa de competição como se fosse um desdobramento do jogo do bicho. Assim, é uma corrida onde os participantes assumem a identidade (e uma máscara de acordo) de um animal, este definido por um ritual de candomblé. No trajeto, existe a possibilidade de alto risco de tentar cortar caminho pela perigosa área chamada de Perímetro (o equivalente às atuais favelas).

Como na obra de Stephen King, existe um showman que apresenta o programa e ainda o executa. Vivido por Rodrigo Santoro, ele escolhe os participantes e cuida para que o show tenha uma alta audiência. Além disso, apostadores milionários elegem um competidor e colocam altas somas nesses jogos.

A perseguição da galinha

Um dos protagonistas é Mano (Matheus Abreu), líder do Perímetro da Morte, um grupo rebelde que se opõe a essa corrida desumana. Porém, contrariando a sua luta, ele não vê outra opção senão aceitar participar como jogador da competição, pois a irmã dele, Dalva (Thainá Duarte), foi dada como garantia pelo próprio namorado, e este não tem a mínima chance de ganhar a corrida. Isis Valverde interpreta a magnata que aposta na vitória de Mano.

Logo nos primeiros minutos, surge uma perseguição com ousados movimentos de parkour, quando um dos competidores da corrida dos bichos ousa cortar caminho pelo Perímetro. Não à toa, a alcunha desse corredor é Galo, pois a sequência é uma auto-homenagem que Fernando Meirelles dedica à famosa cena de perseguição da galinha em seu filme mais famoso, Cidade de Deus (2002). Outro elemento que Meirelles resgata de seu sucesso é a edição frenética, usando planos de curtíssima duração com enquadramentos variados.

A violência explora imagens explícitas e apelativas, como, por exemplo, a extração de um dispositivo implantado no pescoço de uma personagem. Mas, como a situação é fantasiosa, apesar de ser uma metáfora da realidade atual, essa violência não é tão contundente quanto à de Cidade de Deus. As atuações exageradas, certamente seguindo a orientação dos diretores, reforçam essa percepção de alienação.

No filme, acontecem três corridas. A primeira começa quando o público ainda não conhece nenhum dos competidores, portanto, sem uma empatia especial por nenhum deles. Mas, tem seu atrativo, inclusive pelo parkour e a sequência da perseguição da galinha (do galo, neste caso). Da segunda, o filme mostra apenas os seus melhores momentos. A terceira, portanto, representa o clímax emocional da trama, quando o espectador torce por Mano. Mas, repete muito do que já foi visto nas corridas anteriores.

O marketing acima do cinema

A primeira e a última corridas são os principais momentos de ação e funcionam razoavelmente bem, mas seriam melhores sem a narração de uma locutora (a cantora Anitta), pois está exageradamente presente explicando o que as imagens já mostram. E sem acrescentar nenhuma emoção (como fazem os narradores de partidas de futebol, por exemplo). Deixa a impressão de que a narração foi incluída para que a cantora pudesse ter sua participação no filme, pois atrairia público por conta da fama dela.

A mania de explicar ou deixar tudo muito fácil contamina outros momentos do filme. É o que motiva a alongar demais os acontecimentos entre a primeira e a segunda corrida, apenas para amarrar os eventos que levam Mano a participar da corrida para salvar a sua irmã. Nesse intervalo, acontecem até desafios de lutas de rua, além de muita conversa, enquanto a narrativa custa a avançar. Em outro momento, uma chuva começa de repente justamente quando muda o tom da cena para tristeza, quando a personagem de Isis Valverde revela o seu passado. É um truque óbvio demais, que afasta o espectador da cena. Tal transição de tom poderia ser transmitida de outras formas menos forçadas.

Corrida dos Bichos, enfim, não passa de uma cópia tropicalizada que requenta um estilo passado de um de seus diretores. E que se perde em uma trama arrastada, com cenas de ação que se repetem, e estratégias escancaradas de atrair público.    

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Ficha técnica:

Corrida dos Bichos | Corrida dos Bichos | 2026 | Brasil | Direção: Fernando Meirelles, Rodrigo Pesavento, Ernesto Solis | Roteiro: Ernesto Solis, Eva Klaver, Marco Abujamra, Rodrigo Lages | Elenco: Matheus Abreu, Rodrigo Santoro, Isis Valverde, Anitta, Bruno Gagliasso, Grazi Massafera, Seu Jorge, Thainá Duarte, João Guilherme, Silvero Pereira, Leandro Firmino, Jade Sassará, Azzy, Jéssica Córes.

Distribuição: Prime Video / O2 Filmes.

Trailer:

Onde assistir:
Bruno Gagliasso e Isis Valverde em "Corrida dos Bichos" (Prime Video/O2 Play - créd: Laura Campanella)

Outras críticas:

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