Dust representou uma pausa de calmaria em meio à correria da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. É o décimo primeiro título da série “Walker”, do cineasta malaio Tsai Ming-liang, composta por curtas, médias e longas-metragens, sempre com um monge budista caminhando em extrema lentidão por diferentes cenários urbanos e naturais, impassível à movimentação agitada ao seu redor.
Novamente, o ator Lee Kang-sheng interpreta esse personagem que caminha como se estivesse em câmera lenta. Um passo seu leva minutos. Com o olhar para baixo, ele não se incomoda com as pessoas que o olham e até tiram fotos dele, nem com as ondas violentas que batem perigosamente nas rochas ao seu lado no Peine del Viento, em San Sebastián.
A câmera estática, sempre em belos enquadramentos — uns mais artísticos (destaque para aquele com reflexos em espelhos), outros pragmáticos —, segue o monge por várias paisagens dessa cidade espanhola. Em alguns momentos, o filme tira a exclusividade do andarilho para se fixar no close-up do perfil de uma mulher, que não desvia o olhar, e para registrar a rotina de um senhor em sua habitação rural.
Sem narração, sem diálogos ou falas, Dust, ainda assim, é um filme barulhento. O som diegético não disfarça o barulho ao redor: das pessoas falando, de uma fanfarra que passa pela rua, das construções e, na natureza, dos ventos e das ondas.
A experiência compensou para descansar a mente em meio ao corre-corre de uma sessão para outra durante a Mostra. Efeito que também causará em quem sair da rotina atribulada para entrar no cinema quando o filme estrear no circuito comercial.
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Ficha técnica:
Dust | Weichen | 2026 | Taiwan, Espanha | 78 min. | Direção: Tsai Ming-liang | Elenco: Lee Kang-sheng.
Distribuição: Vitrine Filmes.



