Eu, Que Te Amei espia a intimidade da relação conjugal entre Yves Montand e Simone Signoret, que começou em 1951 e se encerrou em 1985 com a morte dela. Foi uma convivência conflituosa, por conta dos inúmeros casos de infidelidade do cantor e ator. O mais notório deles, com Marilyn Monroe, deixou doloridas sequelas em Signoret, segundo o filme escrito e dirigido por Diane Kurys.
A veterana cineasta francesa realiza aqui seu 15º filme. Apoiando-se na sua experiência, filma com precisão, mas sem destaque no quesito criatividade. No máximo, cuida para que uma cena que se encerra com uma chuva dê lugar a outra com uma outra locação que mostra as ruas molhadas.
A atriz Marina Foïs consegue construir uma Simone Signoret convincente, porém o roteiro é ingrato com ela e com a personagem. O filme não consegue expor o drama da mulher que ama, mas não é correspondida à altura. Conhecida por ter personalidade forte, aqui ela se vitimiza, chegando até a se arrastar aos pés do marido quando ele sai de casa por não admitir ser confrontado pela esposa ao voltar de madrugada após transar com a amante.
O filme sofre com a escolha errada de Roschdy Zem para o papel de Yves Montand. Embora seja um bom ator, ele não exala o famoso charme irresistível dessa celebridade francesa. Culpa da direção. Num trecho, Signoret cita numa entrevista que uma das características de Montand é que ele é engraçado, porém em nenhuma cena ele faz piadas. Dessa forma, fica complicado entender por que ele atrai tantas mulheres e, principalmente, por que Signoret é incapaz de largá-lo.
Frio e afastado
Pelo seu escopo, Eu, Que Te Amei atrai espectadores que querem ver, além da vida pessoal do famoso casal, os bastidores do cinema. Ou seja, um paralelo entre a intimidade e os trabalhos nos filmes, como um aspecto afetou o outro e assim por diante. Mas, muito pouco dessa faceta artística aparece na tela, no máximo dando uma pequena atenção a Madame Rosa (1977), que rendeu o prêmio César de melhor atriz para Signoret (e levou o Oscar de melhor filme em língua estrangeira, mas isso não entra nesta história).
Por não enfatizar esse paralelo com o cinema, Eu, Que Te Amei parece levar para as telas o drama conjugal de pessoas comuns. O que não é necessariamente um problema, mas ignora que a motivação para sua realização repousa justamente em falar sobre Montand e Signoret. Sem conseguir a aproximação necessária, é um filme que não soa triste, apenas frio e afastado.
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Ficha técnica:
Eu, Que Te Amei | Moi qui t’aimais | 2025 | 118 min. | França | Direção: Diane Kurys | Roteiro: Diane Kurys | Elenco: Marina Foïs, Roschdy Zem, Thierry de Peretti, Pauline Cassan, Vincent Colombe, Leonor Oberson, Raphaëlle Rousseau, Xavier Robic, Judith Davis.
Distribuição: Autoral Filmes.
Trailer:
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Ficha técnica:
Eu, Que Te Amei | Moi qui t’aimais | 2025 | 118 min. | França | Direção: Diane Kurys | Roteiro: Diane Kurys | Elenco: Marina Foïs, Roschdy Zem, Thierry de Peretti, Pauline Cassan, Vincent Colombe, Leonor Oberson, Raphaëlle Rousseau, Xavier Robic.
Distribuição: Autoral Filmes.



