O documentário Grenal: O Maior Clássico das Américas conta a história do clássico entre Grêmio e Internacional, os dois times grandes do Rio Grande do Sul. Recheado de dados e informações, é uma verdadeira aula sobre esse confronto que começou com um sonoro 10 a 0 aplicado pelo time gremista em 1909.
Por meio de vários infográficos alternados com imagens de arquivo (fotos, capas e páginas de jornais e revistas, vídeos com lances e gols de jogos, entre outros), o longa tem a fluidez de um programa televisivo de esportes. Para isso, contribui também a participação de vários jornalistas esportivos conhecidos pelos torcedores, como Paulo Vinícius Coelho, Kenny Braga, Lauro Quadros, Léo Gerchmann, Luciano Potter, Ferla e Marcelo Medeiros. Essa intenção, porém, leva a alguns cacoetes televisivos apelativos que cansam, notadamente a constante trilha musical de fundo e os relatos de torcedores anônimos. Estes, quando filmados em situações que deveriam parecer naturais, sempre escancaram que estão em encenações.
Depoimentos de ídolos e o peso da rivalidade histórica
Por outro lado, o documentário reúne depoimentos exclusivos de ídolos das duas torcidas. Treinadores e jogadores comentam sobre a importância do clássico e suas participações, certamente agradando aos torcedores de ambos os clubes e a todos os aficionados por futebol.
O filme conta a história em ordem cronológica, destacando os principais clássicos entre os dois times. Além disso, explica com didática o que vem alimentando essa rivalidade por mais de um século. A hegemonia — a do Inter nos anos 1970 e a do Grêmio nos 1980 — exarcebou esse sentimento, pois permitiu provocações duradouras por parte de quem esteve em boa fase. Existem, no entanto, como acontece quando há um interesse comercial por trás, datas comemorativas forçadas, como a do “gol nº 1000” ou a do “jogo dos 100 anos”.
Como diferenciais deste tipo de documentário, destaco duas boas ideias. Uma delas, com humor, são as estatísticas que surgem três vezes, indicando o tempo de tela que o filme dedicou a cada time. Na primeira, por exemplo, constou: Grêmio 45,77% e Inter 54,23%. No final, claro, o placar foi de 50% para cada; assim, nenhum dos dois lados pode reclamar. E, na conclusão, há uma racionalização para amenizar a apaixonada rivalidade, para que a emoção não supere o bom senso. O momento que marca essa ponderação não poderia ser mais emblemático: um jogo em campo neutro (em Curitiba) em 2024, durante a tragédia das inundações no Rio Grande do Sul. Rivais em campo e nas arquibancadas, mas juntos como pessoas solidárias que se ajudam em situações difíceis.
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Ficha técnica:
Grenal: O Maior Clássico das Américas | 2026 | 87 min. | Brasil | Direção: Belisario Franca, Tatiana Sager | Roteiro: Leo Garcia | Elenco: Abel Braga, Ancheta, Baidek, Carlos Simon, Carpegiani, Cláudio Duarte, D’Alessandro, Duda Garbi, Fabiano, Felipão, Joãozinho, Juremir Machado, Kenny Braga, Lauro Quadros, Léo Gerchmann, Luciano Potter, Ferla, Marcelo Medeiros, Paulo Nunes, Pedro Ernesto Denardin, PVC, Romildo Bolzan, Valdomiro, Afonso Camargo, Bernardo Chiodelli, Chico Chiodelli, Cláudia Ribeiro, Daniel Chiodelli, Gustavo Schroeder, Júlia Camargo, Júlio Martins, Lorenzo Martins, Marina Camargo, Rafael Boeno e Tarso Dellinghausen.
Distribuição: Giros Filmes.



