Homem-Aranha: Um Novo Dia

Título original: Spider-Man: Brand New Day

Direção: Destin Daniel Cretton

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 29/07/2026

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

3.5

/5

Como o próprio título indica, Homem-Aranha: Um Novo Dia representa a oportunidade de, finalmente, colocar o super-herói aracnídeo no patamar que merece. Por conta dos eventos do filme anterior – Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021), que só emocionou por reunir as três mais recentes versões do personagem – ninguém mais sabe que o Homem-Aranha é Peter Parker, e uma figura contestada publicamente. Portanto, ele pôde recomeçar a construir a sua imagem, processo que acontece entre os dois filmes.

No epílogo do longa anterior, sem poder contar com a armadura desenvolvida pelas organizações Stark (afinal, o diretor do grupo esqueceu quem é Peter Parker), o herói precisa costurar a sua própria fantasia. Mas, no início do novo filme, Peter já utiliza seus conhecimentos de tecnologia para desenvolver um belo uniforme com artefato lançador de teias. Uma sequência de montagem mostra que o Homem-Aranha progrediu como super-herói. Longe daquele atrapalhado menino de 14 anos do primeiro filme – Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017) – ele agora consegue derrotar vilões poderosos e conquistou o reconhecimento dos moradores de Nova York.  

Personagem em construção

Ou seja, a saga no cinema do Homem-Aranha encontra-se numa fase em que pode simplesmente apresentar um desafio (ou um novo vilão) a cada novo filme. Porém, não é isso o que pretendem os realizadores. Apesar de ser um novo dia para o Homem-Aranha, ele continua em desenvolvimento. Ele precisa resolver o drama de não ser mais o namorado de MJ e o melhor amigo de Ned, pois Peter Parker foi apagado de suas mentes. E, ainda, lidar com as mudanças em seu corpo, pois o metabolismo aracnídeo está se intensificando.

Esses dois aspectos resgatam o lado mais fraco da versão Tom Holland do Homem-Aranha. Ou seja, seu comportamento juvenil (evidenciado quando ele se magoa ao ver MJ com um novo namorado) e seu jeito atrapalhado durante os combates (agora porque ainda não se adaptou às novas transformações em seu organismo). Isso enfraquece o filme, pois insiste em retratar o personagem como um personagem tolo, e não como o super-herói que todos querem ver.

Nesse sentido, o incremento de características de aranha traz um fator positivo. Peter Parker consegue lançar teias produzidas dentro do seu corpo, seu sentido de aranha fica mais aguçado e sua força e sua agilidade aumentam. O Homem-Aranha e Peter Parker se tornam uma unidade orgânica indissociável, uma constatação crucial num dos momentos chaves do filme. E, com direito a significados metafóricos contra o uso de um aparelho inibidor que anula uma parte da essência de uma pessoa.

Um vilão verdadeiramente misterioso

À parte a manutenção do trabalho em andamento em relação ao personagem, Homem-Aranha: Um Novo Dia consegue construir uma empolgante trama de ação com começo, meio e fim. O filme apresenta o novo desafio do super-herói com um instigante mistério. O incógnito vilão da vez consegue manipular a mente das pessoas, e ainda saltar de uma mente a outra em instantes. Na tela, isso provoca um impacto contundente ao revelar o trajeto destes saltos numa multidão nas ruas até chegar à vítima que pretende atingir. A identidade de quem está por trás disso é eficientemente mantida em segredo até a parte final. Sua revelação surpreende, e ainda tem a força de conectar esse personagem com o Homem-Aranha, em relação à ideia de inibir os superpoderes. Ao mesmo tempo, é coerente com a nova fase do Universo Cinematográfico da Marvel.

Esse cruzamento entre personagens da Marvel é um dos fatores que levaram ao sucesso da franquia Vingadores e suas produções correlatas. Após dar fim a alguns super-heróis essenciais em Vingadores: Ultimato (2019), a Marvel está reconstruindo esse universo. Homem-Aranha: Um Novo Dia faz parte desse processo, cujo próximo grande marco será o lançamento de Vingadores: Doutor Destino em dezembro de 2026, que promete uma vasta reunião de personagens.

Porém, essa necessidade de incluir essas participações pode castigar a narrativa. Em Homem-Aranha: Um Novo Dia, o Hulk (que aparece nos trailers e em alguns dos cartazes de divulgação) e um outro personagem não-creditado são dispensáveis para a trama. O Hulk, pelo menos, participa de uma cena de luta, enquanto o outro só fica numa piscina de águas termais. Considerando, ainda, que o filme exagera no uso de flashbacks e de cenas descartáveis (ou que se estendem demais), o resultado é um ritmo mais lento e uma duração mais longa do que deveria ter. Aliás, não vale a pena esperar pela cena pós-créditos.

O melhor da fase Tom Holland

Desta vez, a direção saiu das mãos de Jon Watts, que esteve à frente dos três primeiros filmes do Homem-Aranha com Tom Holland. Em seu lugar, entra o havaiano Destin Daniel Cretton, que fez Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (2021) para a Marvel. Novamente, ele filma cena de ação com artes marciais (no confronto com o grupo ninja Tentáculo), com bons resultados. Mais importante que isso, ele evita o habitual clímax de ação viajante a apoteótico característico da MCU. No belo confronto final, Cretton surpreende com um enfrentamento psicológico entre o Homem-Aranha e o vilão misterioso, com o acompanhamento de uma trilha musical sinistra.

Homem-Aranha: Um Novo Dia não tem só acertos, mas representa um novo patamar para este super-herói. Ainda um personagem em construção, ele está mais maduro, mais poderoso e menos cômico neste seu melhor filme (da era Tom Holland).   

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Ficha técnica:

Homem-Aranha: Um Novo Dia | Spider-Man: Brand New Day | 2026 | EUA | 145 min. | Direção: Destin Daniel Cretton | Roteiro: Chris McKenna, Erik Sommers | Elenco: Tom Holland, Zendaya, Sadie Sink, Jacob Batalon, Jon Bernthal, Tramell Tillman, Michael Mando, Mark Ruffalo.

Distribuição: Sony Pictures.

Trailer:

Crítica em vídeo:

Onde assistir:
Zendaya e Tom Holland em "Homem-Aranha: Um Novo Dia" (divulgação/Sony Pictures)

Outras críticas:

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