A franquia Jurassic ganha sua segunda ressurreição. A primeira trilogia, chamada de Jurassic Park, se encerrou em 2001. Uma nova trilogia, adotando o nome Jurassic World, apresentou sua conclusão em 2022. Porém, ainda não era o fim, e o quarto filme, Jurassic World: Recomeço chega agora aos cinemas sugerindo no título uma expectativa para novos lançamentos.
O diretor Gareth Edwards é novato na franquia, mas não no gênero. Sua carreira se mostra irregular. Realizou os ótimos Rogue One: Uma História Star Wars (2016) e Resistência (2023), porém também o fraquíssimo Godzilla (2014). Igualmente irregular é David Koepp, roteirista dos dois primeiros longas Jurassic Park, e que retorna ao material num enredo com estrutura de vídeo game.
Scarlett Johansson entra na série como grande atrativo. A atriz parece reviver seu personagem Viúva Negra, pois Zora Bennett é uma mercenária extremamente habilidosa em combates. Por uma quantia exorbitante, ela aceita a missão de coletar DNA de três dinossauros gigantes na ilha Saint-Hubert, na linha do Equador, única região da Terra onde as criaturas pré-históricas ainda conseguem sobreviver diante das mudanças climáticas que tornaram o meio-ambiente inóspito para elas. Com esse material, uma indústria farmacêutica pretende produzir um medicamento que previne as doenças cardíacas.
Como ela não entende nada do assunto, a empresa contrata também o paleontólogo Dr. Henry Loomis (Jonathan Bailey). Por sua vez, Zora reúne uma equipe de conhecidos locais, liderados por Duncan Kincaid (Mahershala Ali). Como num game, esse grupo precisa concluir uma etapa para seguir para a outra, com níveis de dificuldade crescente.
Três níveis de dificuldade
O primeiro desafio é coletar uma amostra do sangue de um mosassauro, o gigante que vive nos oceanos que já pareceu em filmes anteriores da franquia. Nessa etapa, eles salvam a família Delgado que ficou à deriva na sua jornada cruzando os mares. Se a estrutura de game parece planejada para agradar o público contemporâneo, esses personagens (o pai, a filha jovem adulta com seu namorado e a filha de uns 10 anos), representam a receita universal para ganhar a empatia do espectador. Já na ilha, outro ingrediente típico de blockbuster entra em cena, um pequeno dinossauro que vira o pet da menina, abrindo oportunidades para licenciamento de brinquedos e roupas.
O segundo DNA se transforma no momento contemplativo do vasto plano geral com enormes dinossauros herbívoros. Desta vez, com os titanossauros. Essa experiência marcou o primeiro filme, Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993) e sempre ecoou nas sequências.
O ponto alto de Jurassic World: Recomeço está na sensação de descer uma montanha-russa provocada pelo penhasco onde vivem os quetzalcoatlus, uma espécie de pterossauro gigante, com 12 metros de envergadura. A coleta do material genético de um de seus ovos se transforma numa aventura vertiginosa. Nesse momento, a equipe se resume aos envolvidos na missão da farmacêutica, pois a família enfrenta seus próprios desafios para sobreviver. Essas sequências paralelas não são tão bem aproveitadas como no filme original, dirigido por Steven Spielberg, que intercalava as cenas e conectava os seus efeitos.
Receita para agradar
O roteiro tenta aprofundar os personagens principais. Para isso, escreve duas cenas com Zora. Uma com o Dr. Henry, e outra com Duncan, quando ela e aqueles com quem contracena podem expor seus dramas pessoais e seus propósitos de vida. O vilão da vez, como sempre tem martelado a franquia, representa a ganância capitalista. Já o conflito na família é mais trivial e se concentra no amadurecimento do namorado da filha.
Gareth Edwards traz influências de seu Godzilla. A trilha musical, do mesmo compositor Alexandre Desplat, parece uma cópia em alguns trechos (especialmente na cena com o mosassauro). Mas, as semelhanças se intensificam na ideia dos gigantes mutantes, em Jurassic World: Recomeço resultantes de experimentos em laboratório. Desta vez, as criaturas possuem tamanho exagerado – exatamente como Godzilla e seus adversários – e aparência assustadora, não distantes dos seres sobrenaturais que surgem do inferno em filmes de terror. No entanto, esse gigantismo horripilante não é suficiente para construir uma sequência final tão emocionante.
Dá para notar na tela o valor da produção de alto orçamento. Este quarto Jurassic World é bem realizado, sem falhas bobas. E o ritmo ágil não permite que existam momentos chatos. Porém, parece visivelmente calculado para agradar. Por isso, possui uma estrutura de game, personagens com dramas pessoais ou de fácil identificação, mensagem ambientalista e criaturas cada vez maiores e mais assustadoras. Garante a diversão, mas facilmente esquecível.
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Ficha técnica:
Jurassic World: Recomeço | Jurassic World: Rebirth | 2025 | 134 min. | EUA | Direção: Gareth Edwards | Roteiro: David Koepp | Elenco: Scarlett Johansson, Jonathan Bailey, Mahershala Ali, Rupert Friend, Manuel Garcia-Rulfo, Luna Blaise, David Iacono, Audrina Miranda, Philippine Velge, Bechir Sylvain, Ed Skrein.
Distribuição: Universal Pictures.



