Justiça Artificial

Poster de "Justiça Artificial"

Título original: Mercy

Direção: Timur Bekmambetov

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 22/01/2026

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

O roteiro inteligente, de Marco van Belle, segura a ficção-científica Justiça Artificial (Mercy). O ponto de partida é a quebra do princípio da presunção da inocência que fundamenta o sistema judicial estadunidense. O filme se passa no futuro próximo, quando o país acaba de adotar a Inteligência Artificial para julgar casos criminais. Diante de um juiz virtual, o réu precisa provar que é inocente (atualmente, o procurador de justiça é quem precisa provar que o réu é culpado). Para isso, tem à sua disposição todos os materiais disponíveis na rede, além de alguns testemunhos que pode solicitar. Mas, precisa fazer isso em apenas 90 minutos, caso contrário, será executado ali mesmo ao fim da contagem regressiva.

A fim de incrementar o drama, o enredo coloca como o réu da vez Chris Raven (Chris Pratt), um detetive da polícia que, por ironia, sempre apoiou esse novo sistema. Ele, inclusive, foi o principal responsável pela condenação de alguns casos recentes. Mas, agora, ele está diante da Juíza Maddox (Rebecca Ferguson) como principal suspeito pelo assassinato de sua esposa, Nicole (Annabelle Wallis). Embora ele ache isso impossível, as imagens de sua câmera corporal (bodycam) e do sistema de segurança de sua casa indicam que ele é o culpado. Para piorar, ele mesmo começa a duvidar de sua inocência. Por ser um alcoólatra em recuperação, ele não descarta a possibilidade de ter tido uma recaída.

Screenlife

O diretor é o soviético Timur Bekmambetov. Mais conhecido por O Procurado (Wanted, 2008), com Angelina Jolie e James McAvoy, e Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (2012), Bekmambetov é a escolha natural para Justiça Artificial por ser um especialista em screenlife. Esta linguagem cinematográfica, por ele patenteada, envolve contar a narrativa através de outras telas (computador, celular, tablet), tal como ele fez em Perfil (2018), que dirigiu, e Desaparecida (Missing, 2023), que produziu.

E, neste filme, o material que o réu Chris solicita aparece ao lado da tela onde está o avatar da juíza virtual Maddox. Dessa forma, ele vasculha vídeos de câmeras de segurança, de bodycam, das redes sociais, faz vídeochamadas etc. Porém, essa sucessão de materiais eletrônicos cansa o espectador – efeito que os filmes de found footage também provocam. Sensação que se torna ainda maior por conta do tom extremamente sério do filme, que só abre um pequeno espaço para um alívio cômico perto da conclusão. Além disso, pelo fato de a narrativa se desenvolver em tempo real, durante os 90 minutos de prazo que o réu possui para se provar inocente, e porque o protagonista vê cada vez menos perspectivas para se salvar, o público corre o risco de cair no tédio.

Porém, o esforço está alinhado com a angústia que o protagonista sente, e é compensado com a parte final eletrizante. A chave para o mistério surge com grande impacto, pois tem aquele escrutínio do material que já foi antes visto, mas agora revisado com mais detalhe. Lembra Blow-up (1966), de Michelangelo Antonioni, e Um Tiro na Noite (Blow Out, 1981), de Brian De Palma.

Ação eletrizante no final

Por fim, tudo caminha para uma grandiosa perseguição pelas ruas, uma explosão arrasadora e outra a ponto de detonar. Nesse clímax, só não agrada a escolha do ator que encarna o culpado, cuja persona entrega que é ele desde a primeira vez que aparece na história. O filme ainda deixa a mensagem de que a IA não substitui a intuição humana, justamente porque o sistema computadorizado ignora a desonestidade das pessoas e não questiona que o que o que é evidente nem sempre é verdade. Justiça Artificial agrada com sua mistura de seriedade com tensão e ação.

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Ficha técnica:

Justiça Artificial | Mercy | 2026 | Reino Unido, Russia, EUA | Direção: Timur Bekmambetov | Roteiro: Marco van Belle | Elenco: Chris Pratt, Rebecca Ferguson, Annabelle Warris, Chris Sullivan, Kylie Rogers, Noah Fearnley, Kali Reis, Rafi Gravon, Philicia Saunders, Jamie McBride, Mark Daneri.

Distribuição: Sony Pictures.

Trailer:

Onde assistir:
Rebecca Ferguson em "Justiça Artificial" (divulgação/Sony Pictures)

Outras críticas:

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