Dentro da ainda curta e ainda insignificante carreira do cineasta inglês Phil Claydon, Morando com o Medo (Within ou Crawlspace) consegue se sobressair. Pelo menos, o filme consegue conduzir o espectador, como a trama exige, para depois surpreendê-lo.
Tudo remete a um típico filme de casa mal-assombrada. Contra a sua vontade, a adolescente Hannah (Erin Moriarty) se muda para outra cidade, junto com seu pai – John (Michael Vartan) – e sua madrasta – Melanie (Nadine Velazquez). A casa nova é grande, e o pai pagou um preço barato por ela porque há 10 anos uma família foi brutalmente assassinada ali dentro.
Assim que os personagens entram na casa, a trilha sonora já coloca uma música sinistra, sem que nada de estranho aconteça. Como, por exemplo, quando Hannah abre o armário de seu quarto. A fotografia, porém, joga contra essa intenção, com uma iluminação clara demais. Demora um bocado até surgir a primeira aparição, ao fundo e fora de foco, o que funciona bem. Fora isso, mais amedrontador é o vizinho que trabalha como chaveiro e logo dá mostras de ser um pervertido.
Até a parte final, o espectador testemunhas as rápidas aparições na casa, quase sempre ao redor de Hannah, que tem certeza de que alguma coisa estranha acontece na casa, mas ainda não tem como provar. Em determinado momento, a aparição ataca uma pessoa e a mata violentamente, provando ao espectador que ela não só existe como é perigosa.
A investigação de Hannah passa por um processo que funciona muito bem no cinema, que é a descoberta através de uma fotografia. Como em Blow Up (1966) ou em A Profecia (The Omen, 1976), um detalhe estranho indica uma presença que desvenda o que pode estar assombrando aquela casa agora.
Do sobrenatural ao crime
A revelação inesperada surpreende o público que tem a certeza de que se trata de um filme sobre casa assombrada. Ademais, a verdade deve agradar os fiscais da verossimilhança, ainda mais com a cartela final trazendo uma informação adicional. Diante desse novo prisma, o filme se torna um terror sobre um serial killer real. Mas, pesa aí o orçamento reduzido que prejudica a materialização da tal assombração quando passa a ter mais tempo na tela, mais com cara de morto-vivo do que uma pessoa com distúrbio mental.
Morando com o Medo mantém o tom sério o tempo todo, o que contribui para a revelação do desfecho, já que existe uma explicação racional para o que acontece dentro da casa. Além disso, se encerra com um final ousado, sem concessões. É um filme pequeno, com cara de produção para a TV, mas que funciona bem, principalmente para esta tela menor.
Mas, assombração mesmo fica só na casa da vizinha, interpretada por Jobeth Williams, a atriz principal de Poltergeist (1982).
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Ficha técnica:
Morando com o Medo | Within / Crawlspace | 2016 | 88 min. | Estados Unidos | Direção: Phil Claydon | Roteiro: Gary Dauberman | Elenco: Michael Vartan, Erin Moriarty, Nadine Velazquez, Ronnie Gene Blevins, JoBeth Williams, Dorian Kingi, Blake Jenner, Misty Upham, Tom Wright.
Distribuição: Warner Bros. Pictures.



