Como indicava a conclusão de Mortal Kombat (2021), chega agora aos cinemas sua sequência, Mortal Kombat 2, novamente com direção de Simon McQuoid e produção de James Wan. Os personagens principais retornam, assim como as apostas em muitas cenas de lutas e sequências em computação gráfica com muita violência gore e artes marciais, acompanhados de humor. Mas, tudo em uma dose maior.
Os cenários em CGI ganham uma dimensão monumental, um upgrade que impressiona já na primeira cena. Nela, o vilão Shao Khan invade o reino de Edênia e assassina o rei Jerrod, obrigando todos os habitantes a se ajoelharem ao seu novo imperador, inclusive Sindel e Kitana, respectivamente a esposa e a filha do rei morto.
Na Hollywood atual, Cole Young (Lewis Tan) cumpre o que planeja fazer no final do primeiro filme e procura Johnny Cage (Karl Urban), um astro do cinema de ação dos anos 1990 (o que permite algumas divertidas alusões nostálgicas). Apesar de a carreira de Cage estar num estágio decadente, ganhando uns trocados em convenções de fãs, Raiden o seleciona para integrar a sua equipe no torneio que definirá o destino dos reinos. A comédia funciona desta vez por conta deste personagem, mais presente, mais agradável e muito mais engraçado do que Kano, o principal motivo cômico do primeiro filme e que volta para a sequência.
A princípio, parece que a narrativa se estruturará com base nas etapas do torneio. Mas, a trama se torna mais complexa, envolvendo a vingança de Kitana (que finge ser obediente a Shao Khan), a evolução de Cage e a disputa por um amuleto da imortalidade. A complexidade maior não é totalmente benéfica para o filme. Na parte final, isso leva a sequências paralelas de ação que diluem e enfraquecem a emoção.
Maior, mas não necessariamente melhor
A quantidade de personagens aumenta, o que também não é necessariamente positivo. Entram novos protagonistas bem mais carismáticos que todos que apareceram no filme anterior. Estamos nos referindo a Kitana (Adeline Rudolph), uma autêntica heroína, e Cage, o azarão engraçado que vai provar o seu valor. Surgem também coadjuvantes interessantes, principalmente o Baraka, impressionante em sua caracterização em live action com sua enorme mandíbula. Contudo, a sequência insiste no irritante Kano, embora com participação menor. Mas, quem desta vez está insuportável é Jax Briggs, personagem maltratado com falas terrivelmente tolas.
Do lado dos vilões, a melhor novidade é o necromante Quan Chi, que tem o poder de ressuscitar os mortos. Através de magia negra, ele abre os portais entre os reinos e garante um tom mais sombrio para essa continuação. Que, aliás, é ainda mais extrema na violência (o clímax disso é o final do confronto entre Kitana e Shao Khan). Mas, as lutas que acontecem em paralelo trazem personagens com máscaras que são difíceis de distinguir (pelo menos, para quem não é expert no game).
Mortal Kombat 2 é maior, mais sombrio, mais violento, com mais personagens e cenários mais ambiciosos que seu antecessor. Mas, por conta de suas falhas, isso não resulta num filme proporcionalmente superior.
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Ficha técnica:
Mortal Kombat 2 | Mortal Kombat II | 2026 | EUA | Direção: Simon McQuoid | Roteiro: Jeremy Slater | Elenco: Karl Urban, Adeline Rudolph, Jessica McNamee, Josh Lawson, Ludi Lin, Mehcad Brooks, Tati Gabrielle, Lewis Tan, Damon Herriman, Chin Han, Tadanobu Asano, Joe Taslim, Hiroyuki Sanada.
Distribuição: Warner Bros.



