Morte Instantânea retrabalha algumas situações caras ao cinema de terror. A morte anunciada já rendeu a longeva franquia Premonição (seis filmes entre 2000 e 2025). A descoberta de evidências de uma presença sobrenatural em fotografias ficou notória no clássico A Profecia (The Omen, 1976) e continuou a ser um recurso muito explorado até hoje. E o que move a narrativa é um objeto amaldiçoado – como a fita VHS de O Chamado (The Ring, 2002). Tais expedientes, no entanto, não são aqui reproduzidas ipsis litteris. São apenas influências, como devem ser para não parecerem meras cópias.
Um bom roteiro mas mal-executado
Entremos, então, na trama para contextualizar esse uso. Uma antiga câmera Polaroid (que tira fotos instantâneas) é o objeto amaldiçoado da vez. Quem aparece nas suas fotos sofrerá uma morte violenta. No prólogo, Madelaine Petsch (atriz que ficaria conhecida com a trilogia Os Estranhos, de Renny Harlin) vive uma jovem que encontra essa máquina na casa da mãe dela, e acaba sendo vítima de sua maldição.
O enredo de fato começa quando a Polaroid chega às mãos de Bird (Kathryn Prescott), que trabalha em um antiquário e adora fotografia. Logo seus amigos começam a morrer e não demora para deduzir que as mortes estão relacionadas com a máquina. Ela percebe que uma sombra aparece na foto, atrás da próxima vítima, para depois sumir.
O roteiro insere uma bem bolada variação de uma foto em grupo , acrescentando ainda um ainda mais imaginativo detalhe que coloca Bird também em perigo. A história avança para uma investigação sobre um sinistro crime cometido em 1974, envolvendo abuso sexual infantil.
Apesar da trama envolvente, Morte Instantânea não consegue assustar. Os cenários e a fotografia soam exagerados. Todos os lugares fechados são cheios de névoas, com luz insuficiente e velhos. Parece que os personagens vivem e trabalham em locais assombrados. Os efeitos visuais são bem toscos, e o fantasma assassino aparece demais e evidencia sua ineficácia.
O filme é uma versão em longa-metragem do curta de 2015 do mesmo diretor, o norueguês Lars Klevberg. Depois deste longa, ele rodaria o bom Brinquedo Assassino (Child’s Play, 2019), com Aubrey Plaza como protagonista.
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Ficha técnica:
Morte Instantânea | Polaroid | 2019 | 88 minutos | Estados Unidos, Noruega | Direção: Lars Klevberg | Roteiro: Blair Butler | Elenco: Kathryn Prescott, Mitch Pileggi, Grace Zabriskie, Tyler Young, Keenan Tracey, Samantha Logan, Priscilla Quintana, Davi Santos, Katie Stevens, Madelaine Petsch, Erika Prevost.



