A ótima recepção que Pantera Negra obteve em seu lançamento em 2018 se deve mais às suas boas intenções do que pela qualidade do filme em si. Ele representa a resposta do Universo Cinematográfico da Marvel à ausência de um longa solo sobre um super-herói negro. Esse personagem surgiu nas histórias em quadrinhos em 1966, e apareceu em Capitão América: Guerra Civil (2016), buscando vingança pelo assassinato do pai (cena que entra em flashback neste filme).
Para fazer jus a essa proposta reparadora, Pantera Negra apresenta Wakanda, o país onde vive o povo do herói. O filme faz questão de apontar que se trata da sociedade mais avançada e rica do planeta, estágio alcançado com a exploração de um metal alienígena chamado vibranium. Mas, Wakanda prefere manter isso em segredo, e finge ser um país subdesenvolvido. Tal cenário é uma evidente metáfora para os países da África, que possuíam vasta riqueza natural até serem explorados como colônias dos europeus.
Chadwick Boseman interpreta T’Challa, o herdeiro do rei morto. Para isso, precisa enfrentar aqueles que desejem desafiá-lo num combate sem o uso dos poderes do Pantera Negra. T’Challa se mostra incompleto, e não é capaz de vencer um rival com intenções dúbias para o reino. Na trama, ele descobre sua história pessoal e vira o jogo contra o inimigo. Ao assumir o poder, se declara diferente do seu pai. Ele não quer que Wakanda continue fechado para o mundo. Num discurso pró-globalização bem simplista, ele acredita que todas as nações devem se ajudar.
Uma jornada superficial
Como costuma acontecer nas produções da MCU, quase todos os cenários do filme são feitos em computação gráfica. Os resultados, totalmente artificiais, não incomodam os fãs. Porém, em Pantera Negra algumas cenas parecem constrangedoras pelo uso displicente da facilidade digital. Destaco principalmente o cenário do combate à beira de uma catarata, com uma montanha no fundo repleta de pessoas separadas em grupos, cada um representando uma tribo. Tudo soa estranho, porque são tribos demais, com figurinos tão coloridos como as fantasias da série Batman dos anos 1960. A luta acontece muito perto da beira da queda d’água, o que escancara o fato de que no local da filmagem não havia queda nenhuma.
Além disso, esse cenário aparece duas vezes no filme, porque o enredo repete a situação do combate de desafio. Primeiro, com um desafiador legítimo, e depois com o rival com más intenções. A ida ao mundo dos ancestrais, onde T’Challa encontra o fantasma do pai, também é outra situação recorrente nessa história pouco criativa, que se resume a uma trama de vingança.
A tecnologia de Wakanda também deixa a impressão de ser exageradamente avançada. A cidade se equipara a mundos de um futuro distante de ficção-científica. Por conta disso, o confronto entre T’Challa e seu rival no metrô desse lugar lembra o universo dos games de Tron (1982).
Parece que o enredo de Pantera Negra foi escrito às pressas, sem maior aprofundamento, tomando o cuidado apenas de ser um filme de super-herói negro. Inclusive em relação às pessoas por trás da produção. Além do elenco majoritariamente afrodescendente, Ryan Coogler dirige e é coautor do roteiro com Joe Robert Cole. A abordagem é politicamente correta, mas com resultados fracos.
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Ficha técnica:
Pantera Negra | Black Panther | 2018 | EUA | 134 min. | Direção: Ryan Coogler | Roteiro: Joe Robert Cole, Ryan Coogler | Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong´o, Danai Gurira, Martin Freeman, Daniel Kaluuya, Angela Bassett, Letitia Wright, Forest Whitaker.
Walt Disney Studios










