Comédia romântica típica, Procurando Emily se beneficia do charme dos atores principais, que dão vida a uma premissa boa que rende bem até seu clímax maluco. Depois, fecha com uma conclusão preguiçosa. As locações em Manchester ajudam a sair da mesmice da grande quantidade de produções hollywoodianas no gênero. Essa qualidade se soma ao forte sotaque britânico do ator Spike Fearn (de Alien: Romulus), que interpreta o protagonista Owen. Ele é um rapaz de 22 anos que tinha uma banda, mas está meio perdido depois que a mãe morreu há quase um ano. Ganha uns trocados como engenheiro de som e músico no bar do grêmio estudantil da (fictícia) Manchester City University.
Numa noite de trabalho, durante uma festa, ele conhece e se apaixona por uma garota chamada Emily, que deixa seu telefone para ele entrar em contato. Porém, no dia seguinte, ele percebe que ficou faltando um dígito no número dela. Movido pela paixão à primeira vista, tenta desesperadamente encontrar a sua Emily na universidade. Nessa missão impossível, acaba conhecendo outra Emily, a estudante de psicologia vivida por Angourie Rice (a Betty Brant dos filmes do Homem-Aranha com Tom Holland). Na procura de uma ideia para seu trabalho de conclusão de curso, ela resolve usar Owen como seu caso de estudo sobre a hipótese de o amor levar à loucura. Seguindo a fórmula da comédia romântica, ela não conta isso para ele, o que será o empecilho que pode separar os dois quando eles se apaixonarem (o que obviamente acontece).
Redes sociais, sátira e o desfecho clichê
A busca infrutífera de Owen escala para uma situação maluca quando ele envia um e-mail para as 317 estudantes da universidade com o nome Emily. Mas ele faz a besteira de não mandar em cópia oculta. Numa cena bem inventiva, ele circula pela sua casa em meio às várias Emilys reagindo ao email. Então, surge um movimento em grupo das Emilys protestando contra essa suposta violência machista – que a diretora Alicia MacDonald usa para satirizar o radicalismo woke e a inconsequência das redes sociais que, sem a devida análise, cancelam ou idolatram as pessoas. Uma influenciadora se aproveita da situação e chama Owen para seu podcast.
Nesse momento, o filme perde uma ótima oportunidade de potencializar a força da música, como no cinema de John Carney. A influenciadora tenta vilanizar Owen, que em sua pureza (e entorpecido pela paixão) se arrisca a apresentar uma música que compôs para a sua Emily. Surpreendendo a todos, a canção é boa e muda a opinião de várias haters do grupo das Emilys. Era a chance de transformar a trama em uma comédia romântica inventiva. Porém, ela não é aproveitada, e o terceiro ato descamba para soluções batidas e fáceis demais. Tem até aquele clichê dos amantes correndo pelas ruas para se encontrarem quando descobrem que se amam. Mas isso ocorre sem provocar muita emoção e sem aproveitar a comédia na situação do microfone aberto (como em Corra que a Polícia Vem Aí! [The Naked Gun, 1988]).
Junta-se a essa tendência de ideias desperdiçadas as cenas pós-créditos que ameaçam imitar um videoclipe. Com dois atores protagonistas que interagem com muita química e carisma, muita música e um ambiente descolado, Procurando Emily poderia ser uma comédia romântica especial. Faltou apenas a coragem de testar algo diferente na parte final.
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Ficha técnica:
Procurando Emily | Finding Emily | 2026 | Reino Unido, EUA | Direção: Alicia MacDonald | Roteiro: Rachel Hirons | Elenco: Angourie Rice, Spike Fearn, Julia Rogers, Minnie Driver, Sadie Soverall, Amber Grappy, Jack Riddiford, Isabella Laughland, Kat Ronney, Yali Topol Margalith, Nadia Parkes, Timothy Innes.
Distribuição: Universal Pictures Brasil.



