Quanto Vale?

Título original: Worth

Direção: Sara Colangelo

Ano de lançamento: 2020

Data de estreia no Brasil: 03/09/2021

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

2.5

/5

O filme Quanto Vale? possui as melhores intenções possíveis. Produzido pela Higher Ground, de Michelle e Barack Obama, o longa acompanha os dilemas éticos do advogado Ken Feinberg, o responsável principal pelo programa de Fundo de Compensação do governo americano para as famílias das vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Interpretado por Michael Keaton, Feinberg tem como meta conseguir 80% de adesão do grupo de sete mil potenciais beneficiários. Dessa forma, evita uma enxurrada de processos judiciais individuais que causaria uma incerteza capaz de abalar a economia do país. Experiente e com uma equipe especializada, Feinberg consegue construir uma planilha que calcula racionalmente o que cada família teria a receber, considerando as variáveis das situações aplicáveis.

Com tudo pronto, ele apresenta a sua proposta em uma palestra para um grupo de beneficiários. Mas comete o erro de não pensar no frágil estado emocional dessas famílias em luto. Como consequência, seu plano racional é sumariamente recusado. Entra em cena, então, o personagem de Stanley Tucci, Charles Wolf, que vimos minutos antes humanizado em casa, sem a sua esposa morta no atentado. Wolf é um verdadeiro paladino da justiça. No passado, abraçou outras lutas em nome da sociedade e, agora, lidera um movimento pela compensação justa das vítimas do 11 de setembro.

O despertar da empatia e os desafios narrativos

Gradativamente, nos encontros com Feinberg, Wolf consegue convencê-lo a se colocar no lugar das famílias em luto. No início, o advogado delegava as entrevistas para sua equipe — o filme destaca os personagens de Amy Ryan, Shunori Ramanathan e Ato Blankson-Wood, mostrando-os sensibilizados pelas histórias que ouvem. Conforme a trama avança, Feinberg acaba cedendo aos apelos de Wolf e se envolve nos relatos pessoais dos beneficiários. Seu lado humano desperta, e Feinberg deixa de lado as suas convicções matemáticas para se abrir aos dramas reais.

O filme não deixa o espectador alheio a essa sensibilização. Seleciona os casos mais atípicos para ilustrar a tese da impossibilidade de resumir o programa de compensação a fórmulas impessoais. Assim, mostra a situação de uma esposa que concorre pela indenização com outra mulher com quem o marido tinha um caso extraconjugal, por exemplo. E também o de um companheiro de uma vítima que é impedido de ter direito a uma indenização porque a família não aceitava que o filho fosse homossexual.

Mas, tanto para o roteirista Max Borenstein quanto para a diretora Sara Colangelo, Quanto Vale? é um filme desafiador. Primeiro, porque os realizadores precisam ter cautela ao lidar com esse tema delicado, principalmente ao retratar as famílias das vítimas. Além disso, trata dos bastidores de um programa social do governo; portanto, um assunto duro de se conseguir a atenção do público. Não se trata de um filme de tribunal, que rende calorosos debates em cena. Aqui, o convencimento de Feinberg não surge diretamente das discussões com Wolf, mas de sua abertura aos problemas pessoais das famílias. Ademais, as tecnicalidades são complexas, e o filme não se arrisca a explicá-las, o que deixa no vácuo a justificativa de como a quantidade de adesão ao programa subiu tão repentinamente.

Diante dessas limitações de liberdade, Borenstein e Colangelo realizam um filme correto. Bem filmado, mas sem assumir riscos.

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Ficha técnica:

Quanto Vale? | Worth | 2020 | 118 min. | Estados Unidos | Direção: Sara Colangelo | Roteiro: Max Borenstein | Elenco: Michael Keaton, Stanley Tucci, Amy Ryan, Tate Donovan, Laura Benanti, Talia Balsam.

Distribuição: Netflix.

Trailer:

Onde assistir:
Stanley Tucci em "Quanto Vale?" (Netflix)

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