Piranha

Título original: Piranha

Direção: Joe Dante

Ano de lançamento: 1978

Data de estreia no Brasil: 30/11/1978

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

3

/5

Após o megassucesso de Tubarão (Jaws, 1975), de Steven Spielberg, pipocaram várias imitações, como era de se esperar. Entre elas, Grizzly, a Fera Assassina (Grizzly, 1976), de William Girdler, Orca: A Baleia Assassina (Orca, 1977), de Michael Anderson, Tentáculos (Tentacles, 1977), de Ovidio G. Assonitis, e Piranha (1978), de Joe Dante. Spielberg declarou que considerava Piranha a melhor entre essas cópias baratas. Não era balela. Anos depois, Spielberg daria a chance para que Dante dirigisse o episódio “It’s a Good Life” de No Limite da Realidade (The Twilight Zone: The Movie, 1983) e o longa Gremlins (1984). Este último impulsionaria a carreira de Dante.

Essas duas produções para Spielberg confirmariam a paixão por desenhos animados que Joe Dante expressou em Piranha, explicitamente, na cena em que o vigia da represa assiste a cartoons antigos na televisão. As referências nostálgicas incluem também um delicioso trecho que utiliza criaturas em stop motion no laboratório de experimentos do exército. E a presença de Barbara Steele, como a cientista a serviço do exército, revela sua apreciação do cinema de terror europeu.

Armas de guerra

É nesse local misterioso que os militares desenvolveram piranhas diferenciadas, capazes de viver em água salgada e doce, além de se multiplicar rapidamente. Dotadas de um apetite voraz, serviriam como arma na Guerra do Vietnã. Nesse aspecto, há uma influência clara da Nova Hollywood, fundamentando a violência predominante na época. Mas, com o fim desse conflito, as piranhas ficaram abandonadas em um tanque, sob os cuidados solitários do cientista interpretado por Kevin McCarthy.

Maggie, uma rastreadora de pessoas desaparecidas vivida por Heather Menzies (da série Logan’s Run), chega ao local atrás de um casal cujas mortes nesse tanque foram mostradas no prólogo do filme. Acompanhada do morador local Paul, papel de Bradford Dillman, Maggie inadvertidamente abre as comportas do tanque, liberando os peixes para o rio. Desesperados, o cientista, Maggie e Paul descem o rio para alertar sobre o perigo. Mas, sempre chegam atrasados, e não conseguem evitar o banho de sangue.

Assim como no filme de tubarão de Spielberg, a tragédia que envolve mais pessoas poderia ser evitada, mas não é por causa da ganância dos responsáveis. Em Tubarão, devido ao prefeito da cidade balneária, que se recusa a fechar as praias na lucrativa alta temporada. Aqui, é um empresário vivido por Dick Miller (colaborador obrigatório nos filmes para cinema de Joe Dante) que não cancela a festa de lançamento de um empreendimento recreativo à beira do rio. Aumentando o tom da crítica, esse empresário está mancomunado com o coronel do exército envolvido com os experimentos com as piranhas.

Gangorra de emoções

Antes de chegar a esse evento que reúne centenas de pessoas, as piranhas passam por um acampamento para crianças. Essa etapa acrescenta dramaticidade, porque, além de envolver crianças, uma delas é filha de Paul. Este trecho reúne alguns momentos de alívio cômico, principalmente por conta do abestalhado responsável pela colônia. Há também um pouco de humor nas situações da farofada do lançamento imobiliário. Nos dois casos, as piadas se restringem ao período antes do ataque das piranhas.

Quando os peixes carnívoros atacam, o filme foca no terror e no suspense. Driblando o orçamento limitado, Joe Dante repete o truque de Alfred Hitchcock na cena do chuveiro de Psicose (1960). Ou seja, utiliza vários planos curtíssimos, de poucos segundos. Trazem closes rápidos das piranhas, alternados com detalhes dos ferimentos que elas provocam. Além disso, Dante utiliza a câmera subjetiva da perspectiva dos predadores nadando em direção às suas vítimas, como fez Spielberg no seu filme citado anteriormente. Durante as investidas, a trilha sonora traz um incessante barulho que lembra moscas voando.

A música do filme tem como compositor Pino Donaggio, o mesmo de Carrie, a Estranha (1976), de Brian De Palma (com quem fez um total de oito filmes). Com Dante, Donaggio trabalharia também em Grito de Horror (The Howling, 1981), seu filme de lobisomem. Aqui, a trilha musical aposta em música eletrônica durante a ação, e um piano melancólico nas cenas depois dos ataques.  

Um filme B+

O suspense, porém, parece limitado pelas decisões erradas dos protagonistas, que parecem agir por impulso, sem pensar. Por isso, estão sempre correndo, mas nunca conseguem chegar a tempo de evitar as mortes. As sequências em que os dois disparam num carro em alta velocidade quase se tornam involuntariamente engraçadas. Para piorar, Bradford Dillman entrega uma atuação sofrível.

Mas, esses defeitos não impedem que o espectador se entretenha com Piranha, que entrega bem mais do que se espera de um filme B, de pequeno orçamento como este, que tem produção de Roger Corman. É uma boa indicação do que Joe Dante faria em produções maiores.  

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Ficha técnica:

Piranha | Piranha | 1978 | 94 min. | Estados Unidos | Direção: Joe Dante | Roteiro: John Sayles | Elenco: Bradford Dillman, Heather Menzies, Kevin McCarthy, Keenan Wynn, Barbara Steele, Dick Miller, Belinda Balaski, Melody Thomas Scott.

Onde assistir:
Heather Menzies e Bradford Dillman em "Piranhas"

Outras críticas:

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