Quarto do Pânico

Título original: Quarto do Pânico

Direção: Gabriela Amaral Almeida

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 13/02/2026

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 4/10

Lançar uma versão nacional de um filme estrangeiro é uma jogada comercial manjada. A indústria americana recorre bastante a essa estratégia, porque o público de lá não gosta de assistir a filmes legendados. Esse problema começou a afetar os espectadores brasileiros também, a partir deste século, num efeito sintomático da piora na educação do país. Quarto do Pânico, de Gabriela Amaral Almeida, embarca nessa jogada, adaptando o longa de David Fincher, lançado em 2002 com o título O Quarto do Pânico. A distância temporal poderia também abrir a oportunidade para uma modernização, mas isso não acontece.

A história é praticamente a mesma, apenas com alteração de alguns detalhes em relação aos personagens. A fim de inserir uma carga dramática adicional, a protagonista Mari perde o marido em um assalto. Pouco tempo depois, ela está comprando uma grande casa para morar com a filha adolescente. Várias câmeras espalhadas pela casa e um quarto do pânico isolado por paredes de aço garantem a segurança, segundo a corretora. Mas, na primeira noite, três assaltantes invadem o local – Benito, o técnico que instalou o equipamento do quarto do pânico; Charly, o rapaz que sabe da fortuna que está no cofre dentro desse quarto; e Raul, um ladrão profissional e perigoso que Charly diz conhecer.

A trama, portanto, se desenvolve nesse tenso embate entre a mãe e a filha contra os três invasores. A princípio, a união entre as duas se torna a maior arma contra os bandidos que não confiam um no outro. Porém, o que se sobressai é a sucessão de terríveis decisões dos personagens, problema que estraga muitos filmes de gênero.

Decisões ruins

A diretora Gabriela Amaral Almeida estreou em longas com o ótimo O Animal Cordial (2018). Depois fez o regular A Sombra do Pai (2019). Mas, nesta terceira incursão no suspense, decepciona. Já na abertura, filma mal o roubo no carro que acaba no assassinato do marido. Ao invés de manter na tela o rosto de Mari com um efeito visual que tenta expressar o que ela sente, seria muito mais impactante, e explícito, mostrar o violento crime. Aliás, esse recurso volta a ser utilizado em outros momentos para demonstrar a aflição da personagem. Nesse intuito, se recorre também ao tão batido vomitar de nervoso. Em outras cenas de ação, o uso da câmera lenta deixa a cena menos tensa, como quando a porta do quarto do pânico está se fechando.

A primeira parte do filme não investe na construção dos personagens, principalmente de Mari e sua filha – e da casa também, pois o local é um dos protagonistas da trama. Assim, o público não compreende por que Mari decide comprar uma casa depois da morte do marido. E, ainda por cima, esta casa tão vulnerável. Na verdade, não fica claro nem o quanto a tragédia afetou as duas. Já a casa não tem a arquitetura ideal para o enredo, pois é aberta demais e sem um espaço que favoreça o suspense em uma corrida até o quarto do pânico. Aliás, faltou uma volta pela casa com a câmera para o espectador compreender melhor as cenas de suspense – seria uma boa oportunidade para criar alguns travellings empolgantes, como fez David Fincher, sem entrar a fundo nas inevitáveis comparações entre as versões. Em casos de refilmagens como esta, o espectador que não gosta de ler legendas sai perdendo.

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Ficha técnica:

Quarto do Pânico | 2025 | 90 min.| Brasil | Direção: Gabriela Amaral Almeida | Roteiro: Fábio Mendes | Elenco: Isis Valverde, Marco Pigossi, Caco Ciocler, André Ramiro, Marianna Santos, Leopoldo Pacheco.

Distribuição: Telecine.

Trailer:

Onde assistir:
Marianna Santos e Isis Valverde em "Quarto do Pânico" (divulgação/Telecine)

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