Rob Reiner morreu junto com a sua esposa Michelle, ambos assassinados na casa deles em Brentwood, Los Angeles, no dia 14 de dezembro de 2025. A partir de agora, assistir ao seu último filme, Spinal Tap II: The End Continues, sempre terá um gosto amargo, pois ele aparece nele também como ator e se trata de uma sequência do seu primeiro longa, o mockumentary (falso documentário) Isto é Spinal Tap (This Is Spinal Tap, 1984), que acompanha a carreira de uma banda de heavy metal totalmente sem noção. É uma sátira engraçadíssima a bandas como Iron Maiden, Judas Priest, Manowar etc.
Não era uma ideia original – Eric Idle (do Monty Pyhton) e Gary Weis fizeram antes The Rutles: All You Need Is Cash (1978), um falso documentário que é uma paródia dos Beatles – mas se tornou um clássico. Rob Reiner interpreta Marty DiBergi, o diretor do documentário. Nesta continuação, Rob Reiner reprisa o seu personagem, agora para captar o histórico show de reunião dos três remanescentes do Spinal Tap: os guitarristas Nigel Tufnel e David St. Hubbins, e o baixista Derek Smalls, novamente interpretados por Christopher Guest, Michael McKean e Harry Shearer.
O enredo capta situações comuns aos músicos veteranos, como as muitas turnês de reunião ou de despedida, bem como a conciliação dos músicos que se afastaram depois de brigarem entre si. Os destinos atuais dos músicos fracassados também ecoam a realidade. Por exemplo, Nigel Tufnel hoje é dono de uma loja de queijos – o que lembra o início do tocante documentário Anvil! A História de Anvil (2008), de Sacha Gervasi, ao mostra o líder da banda de metal dos anos 1980 Steve ‘Lips’ Kudlow trabalhando como entregador de bebidas. As ocupações dos outros dois ex-integrantes do Spinal Tap também são muito engraçadas.
Como um documentário
A comédia alterna entre o absurdo total e detalhes que aproximam o filme de um documentário real. Dentro desses últimos, se incluem as participações de músicos famosos, como Paul McCartney e Elton John, que, em sequências distintas, passam pelo estúdio onde o Spinal Tap está ensaiando e se juntam à banda, reverenciando-a pelo seu passado. Tudo é registrado em tom sério – não tem ninguém olhando para a câmera ou rindo do que acontece em cena. Pelo contrário, os músicos do Spinal Tap falam e fazem coisas ridículas sem demonstrar qualquer indício de comicidade.
Tudo se encaminha ao show apoteótico de reunião. Diante da multidão, tudo parece correr bem. Até estranha, e faz falta, que nada muito espalhafatoso aconteça, nem mesmo os figurinos, que na prova dias antes eram absurdos. Quem assistiu ao filme original, porém, fica na expectativa do clímax da apresentação, quando a banda tocará “Stonehenge”. Será que, desta vez, a estrutura de pedras do cenário terá um tamanho decente?
As piadas continuam durante os créditos finais, focados no resultado desastroso do show de reunião. Na última aparição de Rob Reiner, ele pergunta a um dos integrantes sobre a morte. Esse fechamento traz de volta o sentimento de que Spinal Tap II: The End Continues é um epitáfio. Marca o ato final de um diretor que deixa grandes obras. Daqui a alguns dias, na virada do ano, muita gente vai assistir um dos filmes de réveillon preferidos de todos os tempos: Harry e Sally (When Harry Met Sally, 1989), um dos melhores de Reiner, junto com Conta Comigo (Stand by Me, 1986), A Princesa Prometida (The Princess Bride, 1987) e Louca Obsessão (Misery, 1990).
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Ficha técnica:
Spinal Tap II: The End Continues | 2025 | 83 min. | EUA | Direção: Rob Reiner | Roteiro: Christopher Guest, Michael McKean, Rob Reiner, Harry Shearer | Elenco: Christopher Guest, Michael McKean, Harry Shearer, Rob Reiner, Fran Drescher, Paul Shaffer, John Michael Higgins, Don Lake, Kerry Godliman, Chris Addison, Griffin Matthews, Valerie Franco, CJ Vanston, Elton John, Paul McCartney, Garth Brooks, Trisha Yearwood, Lars Ulrich, Questlove, Chad Smith, David Furnish.



