De 11 de dezembro a 14 de janeiro, o CineSesc dá início a uma daquelas oportunidades raras que fazem qualquer cinéfilo correr para garantir ingresso: a mostra “Truffaut Por Completo”, realizada pelo Sesc São Paulo e idealizada pelo Grupo Filmes da Estação. São 21 longas-metragens, 2 curtas e 2 documentários, compondo um panorama generoso da obra de um dos cineastas mais influentes da história do cinema. Depois de passar pelo Rio de Janeiro, a seleção chega a São Paulo com cópias restauradas, clássicos incontornáveis e a chance de revisitar — ou descobrir — a sensibilidade única de François Truffaut.
Nascido em 1932, o diretor se tornou um dos pilares da Nouvelle Vague francesa, movimento que revolucionou a linguagem cinematográfica, com filmagens nas ruas, uso de luz natural e personagens guiados por emoção e contradições reais. Antes de ser cineasta, foi crítico da revista Cahiers du Cinéma, e defensor ferrenho do então emergente conceito de cinema de autor — algo que sua própria filmografia ajudou a consolidar. Mesmo após sua morte precoce, em 1984, Truffaut segue vivo na memória do cinema, influenciando diretores, públicos e gerações inteiras.
A seguir, você confere um guia comentado da programação da primeira semana da mostra, com mini sinopses e nossas observações críticas.
Filmes da primeira semana da Mostra – Mini Sinopses e Comentários
OS PIVETES (1957) – curta
Durante um verão quente, cinco garotos se divertem espionando um casal e aprontando pequenas provocações.
Comentário: Truffaut ainda em modo experimental, observando a energia juvenil com humor e ternura — um prenúncio do olhar delicado que marcaria seus futuros trabalhos com adolescentes.
OS INCOMPREENDIDOS (1959)
O menino Antoine Doinel tenta sobreviver às falhas dos adultos ao seu redor e acaba entrando em conflitos com a lei após um plano dar errado.
Comentário: Uma das obras mais emblemáticas da Nouvelle Vague. Destacamos sua honestidade emocional e a força de sua linguagem documental-poética. Um clássico definitivo.
O ÚLTIMO METRÔ (1980)
Durante a ocupação nazista, Marion Steiner comanda um teatro enquanto esconde o marido judeu e se envolve com o ator Bernard Granger.
Comentário: Elegante e maduro, o filme equilibra romance, resistência e arte. Um dos grandes dramas de Truffaut, frequentemente celebrado por sua profundidade humana. Leia a crítica do filme.
ATIREM NO PIANISTA (1960)
Um pianista tímido com um passado secreto mergulha num enredo de amor, perseguições e crime.
Comentário: Truffaut brinca com o gênero policial de forma livre, misturando melancolia, humor e suspense. Leia a crítica do filme.
JULES E JIM (1962)
Dois amigos se apaixonam pela mesma mulher, vivendo um triângulo afetivo que atravessa décadas.
Comentário: Um dos filmes mais influentes de Truffaut. Jeanne Moreau brilha num dos retratos de amor e liberdade mais marcantes da história do cinema. Leia a crítica do filme.
UM SÓ PECADO (1964)
Durante uma viagem a Lisboa, o casado Pierre se envolve com uma aeromoça, e seu desejo secreto começa a abalar tudo ao seu redor.
Comentário: Uma obra sensível sobre contradições íntimas. Truffaut filma a moralidade adulta com empatia e sem respostas fáceis. Leia a crítica do filme.
DOMICÍLIO CONJUGAL (1970)
Antoine Doinel, agora casado, se envolve com uma jovem japonesa e tenta reconquistar Christine após destruir a relação.
Comentário: Leve, cotidiano e irresistível. Um dos filmes mais divertidos do ciclo Doinel, segundo o olhar do Leitura Fílmica.
O QUARTO VERDE (1978)
Vivendo em luto, Julien Davenne transforma uma capela num santuário dedicado a sua esposa falecida e a outros entes queridos.
Comentário: Um Truffaut sombrio e profundamente reflexivo. Destaca-se sua força espiritual e sua meditação sobre memória e perda.
A SEREIA DO MISSISSIPI (1969)
Um empresário se casa com uma mulher misteriosa que conheceu por correspondência — até descobrir que ela o enganou e fugiu com seu dinheiro.
Comentário: Noir romântico com química explosiva entre Belmondo e Deneuve. Uma obra sobre desejo, engano e paixão obsessiva.
GODARD, TRUFFAUT E A NOUVELLE VAGUE (2010) – documentário
Revisita o nascimento da Nouvelle Vague e a parceria/rutura entre Truffaut e Godard, dois gigantes do cinema.
Comentário: Um documento fundamental para quem ama história do cinema moderno. Essencial para entender os bastidores e conflitos de uma das eras mais criativas da sétima arte.
O AMOR EM FUGA (1978)
Aos 35 anos, Antoine Doinel cruza novamente com personagens marcantes de sua trajetória enquanto inicia um novo romance.
Comentário: Um encerramento afetuoso para a saga Doinel. Nostalgicamente terno.
AS DUAS INGLESAS E O AMOR (1971)
Duas irmãs e um escritor francês formam um triângulo amoroso que se desenvolve ao longo de anos, marcado por paixões, rupturas e cicatrizes.
Comentário: Considerado um dos dramas mais elegantes de Truffaut, com adaptação sensível e atmosfera literária. Em restauração 4K, fica ainda mais imperdível. Leia a crítica do filme.
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Programação de 11 a 17 de dezembro:
OS PIVETES – Em exibição na sessão de Os Incompreendidos
OS INCOMPREENDIDOS – DIA 11/12, QUINTA-FEIRA, ÀS 15H
O ÚLTIMO METRÔ – DIA 11/12, QUINTA-FEIRA, ÀS 20H
ATIREM NO PIANISTA (cópia restaurada em 4k) – DIA 12/12, SEXTA-FEIRA, ÀS 18H
JULES E JIM – DIA 12/12, SEXTA-FEIRA, ÀS 20H
UM SÓ PECADO (cópia restaurada em 4k) – DIA 13/12, SÁBADO, ÀS 20H
DOMICÍLIO CONJUGAL – DIA 14/12, DOMINGO, ÀS 18H
O QUARTO VERDE – DIA 15/12, SEGUNDA-FEIRA, ÀS 18H
A SEREIA DO MISSISSIPI – DIA 16/12, TERÇA-FEIRA, ÀS 15H
GODARD, TRUFFAUT E A NOUVELLE VAGUE – Exibição seguida de bate-papo. – DIA 16/12, TERÇA-FEIRA, ÀS 20H
O AMOR EM FUGA – QUARTA, 17/12 ÀS 18H
AS DUAS INGLESAS E O AMOR – QUARTA, 17/12 ÀS 20H
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Serviço
Mostra “Truffaut por Completo”
de 11 de dezembro a 14 de janeiro
Ingressos: disponíveis a partir de 08 de dezembro, às 17h, pelo app Credencial Sesc, site sescsp.org.br/ ou nas bilheterias das unidades.
Preço único: R$ 10,00.
CineSesc: Rua Augusta, 2075 | São Paulo
(FONTE: DIVULGAÇÃO)