Uma Saída de Mestre (The Italian Job) entra na lista dos bons filmes de ação genéricos. Não é inovador, nem tem viradas na trama arrebatadoras, mas é muito bem realizado. Na direção, está F. Gary Gray, profissional mais que competente no gênero, que assina os mais recentes: Velozes & Furiosos 8 (2017), MIB: Homens de Preto – Internacional (2019) e Lift: Roubo nas Alturas (2024).
Neste filme, Gray conta com um ótimo elenco. O grupo de assaltantes que planeja e executa um roubo genial em Veneza é formado por Donald Sutherland como o veterano John, Mark Wahlberg como Charlie, Edward Norton como Steve, Jason Statham como Rob, Seth Green como Lyle e Mos Def como Left Ear. Um deles trairá os companheiros, matando John. A partir desta premissa, os demais se reúnem à arrombadora de cofres Stella, vivida por Charlize Theron. Filha de John, ela também quer participar do esquema para roubar de volta os 35 milhões em barras de ouro que o traidor levou, e se vingar pelo pai.
Como nos melhores filmes que reúnem um grupo de personagens trabalhando em um projeto, cada um deles tem uma função distinta. Além da arrombadora de cofres, tem o hacker, o motorista virtuoso, o especialista em explosivos, o estrategista, o informante. E aqui as personalidades diferentes incrementam a caracterização dos membros da equipe. O conjunto, dessa forma, ganha vitalidade e facilita a criação de empatia (ou raiva, em se tratando do traidor).
Planejamento e execução
No caso de heist movies como este, a engenhosidade dos assaltos também conta pontos. O primeiro golpe no enredo preenche esse requisito. O grupo liderado por Charlie faz um recorte exato embaixo do cofre no piso do primeiro e do segundo andar de um imóvel que fica sobre a água em Veneza. Assim, o cofre cai exatamente onde os assaltantes aguardam embaixo, com ainda um detalhe inteligente para despistar os seguranças. A câmera que sobre verticalmente e revela a estrutura ajuda a compreender esta precisão arquitetônica.
Já a tentativa de roubar a carga de volta não sai exatamente como planejada. O traidor, além de esperto, conhece os ex-companheiros. Portanto, consegue antecipar os seus movimentos, o que obriga os outros a ajustarem os seus planos. Mas, no cômputo geral, a estratégia envolve etapas brilhantes.
As cenas de ação empolgam, igualmente, pela sua idealização e pela sua realização. Em Veneza, acontece uma perseguição entre lanchas. Em Los Angeles, três Mini Coopers rodam a alta velocidade nas ruas, e até dentro de túneis do metrô. No clímax, ainda entra um helicóptero voando muito perto do solo, confrontando um desses pequenos carros. E, o que deixa tudo mais emocionante, são cenas filmadas com dublês e efeitos práticos, como nos velhos tempos, sem computação gráfica.
Uma Saída de Mestre se equipara a um bife com arroz e feijão – mas com um gostinho de comida que acabou de sair do fogão, e não de comida requentada. Só o título nacional peca por ser genérico no sentido ruim.
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Ficha técnica:
Uma Saída de Mestre | The Italian Job | 2003 | 111 min. | Estados Unidos, França, Reino Unido | Direção: F. Gary Gray | Roteiro: Donna Powers, Wayne Powers | Elenco: Mark Wahlberg, Charlize Theron, Edward Norton, Seth Green, Jason Statham, Mos Def, Donald Sutherland.
Distribuição: Paramount Pictures.










