Baseado na graphic novel de Chuck Pfarrer, Vírus é o único longa dirigido pelo especialista em efeitos especiais John Bruno. A produção é de Gale Anne Hurd, para quem Bruno já trabalhara em O Segredo do Abismo (1989) e Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991), ambos de James Cameron. Nenhuma surpresa, portanto, que os efeitos especiais assumam o protagonismo no filme. O fato de a trama se desenrolar em alto-mar aproxima-o de O Segredo do Abismo, mas as ameaças robóticas se parecem mais com O Exterminador do Futuro 2. O body horror entra aqui como elemento adicional, e nesse jogo de procura por influências, lembra A Mosca (1986), de David Cronenberg. Dentro do terror, há também a inspiração na cena da piscina com cadáveres de Poltergeist (1982), de Tobe Hooper.
O título disfarça a premissa do filme. Não se trata de uma epidemia que contamina tripulantes de um navio. Mantendo coerência com a intenção de usar efeitos especiais, o enredo navega dentro da ficção-científica. O vírus não se relaciona a doença, mas a tecnologia. Uma nave alienígena invade uma estação espacial russa e esta transmite o vírus pelo satélite para um navio de pesquisas, também do governo russo, que está no Sul do Pacífico.
Após uma tempestade, a embarcação rebocadora do Capitão Robert Everton, papel de Donald Sutherland, fica à deriva. A tripulação encontra o navio russo sem ninguém e decide levá-lo até os seus donos na perspectiva de uma rica recompensa. Porém, descobrem a sobrevivente Nadia Vinogradova, vivida pela atriz polonesa Joanna Pacula, que revela que o vírus alienígena está comandando as máquinas do navio para eliminar os humanos. Nesse processo, criam híbridos entre pessoas e máquinas – o que dá vazão ao terror corporal gore do filme.

Efeitos especiais
Os efeitos especiais, de fato, são o grande destaque de Vírus. O uso de seres robóticos (como a aranha feita de peças), prostéticos (os híbridos de máquina e pessoas) e miniaturas (as cenas que mostram o navio enfrentando ondas gigantes) resgatam o prazer de ver efeitos práticos – e não criações computadorizadas. No entanto, a fotografia escura demais prejudica essa fruição.
O ritmo acelerado leva de uma situação de perigo a outra. Mas, os personagens fracos são incapazes de envolver o espectador a se envolver na história e torcer por eles. Falta pessoalidade à Kit Foster de Jamie Lee Curtis e ao Steve Baker de William Baldwin. O vilão Robert Everton é prejudicado pela atuação exagerada de Donald Sutherland. Os coadjuvantes da tripulação não passam de representantes de etnias (o negro e o latino), e a russa Nadia sai de cena cedo demais.
Vírus aposta todas as suas fichas nos efeitos especiais – e é só nisso que acerta.

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Ficha técnica:
Vírus | Virus | 1999 | 99 min. | Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Japão e França | Direção: John Bruno | Roteiro: Chuck Pfarrer, Dennis Feldman | Elenco: Jamie Lee Curtis, William Baldwin, Donald Sutherland, Joanna Pacuła, Marshall Bell, Cliff Curtis, Julio Oscar Mechoso, Sherman Augustus.
Distribuição: Universal Pictures.









